Covas decide exonerar João Cury da Secretaria da Educação de SP

informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e atribui a demissão a um pedido do governador João Doria

por Flávio Fogueral

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) decidiu exonerar na tarde desta segunda-feira, 10, o botucatuense João Cury Neto do cargo de secretário municipal da Educação. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e atribui a demissão a um pedido do governador João Doria (PSDB). Não há um posicionamento oficial de nenhuma das partes envolvidas.

Cury, que ocupou o cargo nos últimos seis meses, tornou-se desafeto do governador paulista desde as eleições gerais de 2018, quando decidiu apoiar o então governador em exercício, Márcio França (PSB). Com isso, foi expulso do PSDB em abril daquele ano pelo então presidente da legenda, Pedro Tobias.

Antes de se tornar secretário na capital, o ex-prefeito de Botucatu ocupou a Secretaria de Estado da Educação e da Fundação Para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Para o lugar de João Cury é cogitado o nome do ex-diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, também filiado ao PSDB e que tentou ser deputado federal. Mesmo com a demissão, o botucatuense deverá continuar no governo da capital, em cargos menores, reforça a reportagem. O destino mais provável será um cargo na Casa Civil do município.

O anúncio da demissão de Cury é aguardado para ocorrer na noite desta segunda-feira, quando da reunião entre o prefeito da capital e seu secretariado.

Condenação no Caso Sangari

A reportagem, no entanto, reforça que a exoneração tem caráter político. Mesmo assim, frisa a condenação que Cury teve em abril deste ano, em segunda instância, em caso de improbidade administrativa no uso de recursos públicos para a contratação de um método de ciências, o chamado “Caso Sangari”.

Na ocasião, tanto o ex-prefeito, quanto o então secretário municipal da Educação, Narciso Minetto Júnior, foram condenador à perda dos direitos políticos e ressarcimento aos cofres municipais de  R$ 1.875.617,49 (um milhão, oitocentos e setenta e cinco mil, seiscentos e dezessete reais e quarenta e nove centavos) valor sobre o qual incidirão correção monetária, além da perda dos direitos políticos durante cinco anos.

O “Caso Sangari” consistiu na apuração sobre contratação da referida empresa para a implantação, em 2010, de nova metodologia para o ensino de ciências em escolas da rede municipal de ensino. O investimento inicial era de mais de R$ 9 milhões, com recursos provenientes do Fundo para o Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

A implantação do sistema foi permeada por problemas e percalços nos meses seguintes, não sendo efetivamente usado no ensino municipal. Durante a tentativa de implantação do sistema, ocorreram aditamentos em torno de R$ 2 milhões, a adoção do método enfrentou problemas na rede municipal, como a complexidade do uso dos materiais, além da dificuldade na capacitação dos professores da rede municipal. Devido aos problemas encontrados e o valor investido, o então secretário municipal da Educação, Narcizo Minetto Júnior, solicitou a rescisão contratual; fato que se concretizou em abril de 2012.

Devido aos problemas, o Ministério Público Estadual (MPE) ingressou com ação civil pública onde solicitava, em caso do processo ser procedentes, a devolução dos pagamentos feitos e que os políticos envolvidos respondessem por improbidade administrativa, o que levaria a perda de mandatos e impossibilidade de se eleger.

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