O ícone Elton John

A obra traz questionamentos importantes sobre a arte de modo geral

por Oscar D’Ambrosio*

Revisitar Elton John é o grande mérito do filme “Rocketman”, dirigido por Dexter Fletcher. Com o papel da estrela do rock desempenhado com carisma por Taron Egerton, a obra traz questionamentos importantes sobre a arte de modo geral e sobre a personalidade de um dos mais importantes ícones do século passado.

Um dado essencial está na maneira como é retratada a relação de Elton John com a família. Temos um pai que o ignora, uma mãe que não o entende e uma avó que logo percebe o talento do neto como pianista. É claro que é simplificador pensar que o astro se desenvolveu como uma reação a isso tudo, mas é impossível não existir elos entre esse background e a carreira.

Outro ponto está na confusa relação do artista com seus empresários, marcada inicialmente pela desconfiança e pelo paternalismo; e, depois, pela sexualidade, drogas e uma maratona exaustiva de gravações e apresentações. As pressões da fama surgem como insuportáveis e a solidão existencial conduz a todo tipo de excesso, seja de substâncias químicas, de todo tipo de relação sexual sem afeto e de uma superexposição pública.

Como grandes momentos do filme, temos a abertura e a cena em que o artista literalmente flutua e faz o público também levitar, um instante mágico que ficará marcado na memória de quem se aventurar pelos passos e notas de um ícone ainda vivo que marcou toda uma geração e nos assombra até hoje com sua competência e versatilidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.