Pesquisa sobre produção de algodão da Unesp Botucatu recebe destaque internacional

O trabalho relaciona o sombreamento e a aplicação de nitrogênio com a produção de algodão

da Assessoria

Uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp de Botucatu envolvendo o cultivo de algodão foi destaque no principal veículo de divulgação científica da American Society of Agronomy, o CSA News.

O trabalho relaciona o sombreamento e a aplicação de nitrogênio com a produção de algodão e foi tema da tese de doutorado de Juan Piero Antonio Raphael, sob orientação do professor Ciro Antonio Rosolem.

O docente é um dos gestores do Nucleus, um centro virtual composto por doze institutos de excelência no Brasil e no Reino Unido. O centro concentra-se em melhorar a compreensão dos principais aspectos agronômicos da eficiência do uso de nitrogênio, melhorando a sincronicidade entre as necessidades das plantas e a disponibilidade desta substância no solo, apoiando-se em uma relação ideal entre solo e planta que diminua as perdas de nitrogênio.

O professor de Botucatu explica que a sombra costuma causar um impacto negativo na produtividade do algodão. O estudo, que analisa a precocidade das plantas, observou que a aplicação de nitrogênio até certo ponto protege a perda de produtividade que ocorre com a sombra.

“O simples fato de ter nuvem já é suficiente para reduzir a luminosidade e prejudicar um pouco a produtividade do algodão. O que foi demonstrado no estudo é que a aplicação de nitrogênio, apesar de tornar a planta um pouco mais tardia, fornece proteção e evita a perda por um período de até duas semanas de sombra que pode ocorrer durante o ciclo”, explica Rosolem.

Esses resultados podem ser úteis para as decisões de manejo em áreas produtoras de algodão, porque o aumento da precocidade devido ao fornecimento insuficiente de nitrogênio está relacionado a uma capacidade restrita da planta em compensar as perdas de rendimento devido ao sombreamento.

Estima-se que a produção mundial de algodão gire em torno de 25 milhões de toneladas anualmente. Em 2016, a receita nacional com exportação dessa commodity chegou a US$ 1,215 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura.