PEV: problema ou solução?

A intencionalidade e funcionalidade do PEV são cruciais e contribuem para a sustentabilidade 

por Patrícia Shimabuku*

O PEV (Ponto de Entrega Voluntária) é uma das alternativas que o munícipe botucatuense possui para descartar de forma adequada os materiais recicláveis, em bairros onde o serviço de porta a porta da Coleta Seletiva ainda não chegou. 

Segundo as informações “Você sabe onde descartar seus materiais recicláveis?”  publicada no portal de notícias da Prefeitura Municipal de Botucatu (PMB) no dia 21/08/2019, o PEV é um contêiner com aproximadamente mil litros de capacidade, autoexplicativos, e com entradas para o descarte de vidro, papel, plástico e metal. 

A intencionalidade e funcionalidade do PEV são cruciais e contribuem para a sustentabilidade ambiental, contudo, será que as pessoas sabem utilizar adequadamente o PEV? E, será que os materiais depositados no PEV são recolhidos diariamente nos pontos onde há grande número de dispensação de recicláveis, como informado na notícia da PMB?

Novos PEVs foram instalados em frente ao Terminal Rodoviário, na Praça José Henrique dos Reis, o cantor João Paulo. Busto de homenagem ao artista conviveu durante dias com acúmulo de lixo reciclável.

PEVs provisórios instalados em frente ao Terminal Rodoviário. “Cartão de boas-vindas” à Cidade contrasta com lixo

O PEV quando não utilizado adequadamente torna-se um problema. O fato já vivenciado em nosso município – é só relembrar – quantos foram os PEVs retirados depois de algum tempo, pois os moradores vizinhos dos contêineres não suportaram conviver com os problemas decorrentes do seu mau uso. No passado, alguns PEVs tornaram-se “entulhódromos” – recebiam de tudo (móveis velhos, resíduos de construção civil, roupas, material eletrônico, resíduos orgânicos e de podagem, fezes e animais mortos) sem falar do lixo encontrado fora do contêiner (mesmo quando vazio) e daqueles que foram incendiados. 

Em relação ao esvaziamento/recolhimento dos materiais dispensados, os responsáveis pelos PEVs precisarão refletir e cumprir a periodicidade mencionada na notícia publicada. A presença de materiais fora dos PEVs poderá comprometer o sistema de drenagem de águas pluviais e contribuir para feiura da paisagem urbana – é só relembrar as condições dos PEVs localizados próximos à Rodoviária que muitas vezes ofereceu um péssimo cartão de visita para os usuários desse equipamento público. Praticidade e acessibilidade dos PEVs não poderão comprometer a estética urbana/rural de um município intitulado como MIT. 

Enfim, por mais que exista em suas laterais informações, a sua função precisa ser esclarecida, compreendida por todo e qualquer munícipe através de campanhas educativas permanentes, e em diferentes veículos de comunicação (rádio, outdoor, busdoor e redes sociais). Além da geração de renda e inclusão social originadas através da segregação e destinação correta, a vida útil do aterro sanitário poderá ser estendida. 

Os materiais educativos (vídeos, podcast e outros materiais visuais) poderão ser elaborados através de parcerias com a iniciativa privada, instituições de ensino e religiosas, projetos sociais, imprensa e ativistas – uma oportunidade de fomentar o altruísmo e a cidadania ecológica. 

Pense – que cidade quero deixar de herança para meus filhos e netos?

Colabore – a cidade é nosso quintal!

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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