Existe razão no ativismo ambiental?

Não há vivência humana sem alteração no meio ambiente (seja urbano ou seja natural)

por Patrícia Shimabuku. Foto principal: Rodrigo Baleia/Greenpeace

A conservação do meio ambiente é algo que deveria estar intrínseco a qualquer pessoa, porém, a retórica verde passa por momentos desafiadores e sombrios, além de ser banalizada pelo mercado, pelos governantes, por uma parcela considerável da sociedade e rotulada como “bandeiras” de partidos políticos.

Preocupar, mobilizar e agir em prol da conservação ambiental não são exclusividades dos movimentos ambientalistas e dos ativistas socioambientais, mas sim, de todo e qualquer ser humano. 

Inequívoco que a sobrevivência dos ecossistemas, justiça social, viabilidade e sustentabilidade econômica dependem do meio ambiente, especificamente, da disponibilização dos finitos recursos naturais em qualidade/quantidade suficiente para garantir a convivência pacífica entre as pessoas, desta forma, conclui-se que o manejo dever ser com objetividade e prudência. 

Não há vivência humana sem alteração no meio ambiente (seja urbano ou seja natural). Ecoar falações para fomentar a consciência ambiental preservacionista radical é hipocrisia, além de ser, insustentável. É óbvio que as ações antrópicas impactam (in)diretamente o meio cujas consequências serão as heranças concretas para as futuras gerações, de forma benéfica ou maléfica. No entanto, reconhecê-las e mitigá-las são atitudes que permeiam a dignidade. E também, restringir a importância ecológica econômica aos objetos de marketing (“selos verdes” ou “empresa amiga da natureza”) é indecente.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 menciona em seu artigo 225: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” – resumindo, a Constituição motiva o espírito ativista socioambiental genuíno e legítimo.

E por fim, fica a seguinte provocação: se os discursos políticos atuais são para cumprir com disciplina as diretrizes legais, talvez, todos os brasileiros deverão ser sensibilizados sobre a “razão” ambientalista e a questão ambiental precisará, urgentemente, ser “repolitizada”, posto que, as redes sociais revelam, exponencialmente, a nossa eclética ignorância ecológica. O ativismo socioambiental tem razões que própria humanidade (infelizmente) desconhece.

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental. Para ler todos os artigos da colunista, acesse aqui.