F-8 terá seus 80 anos retratados em livro

Proposta será fazer um resgate histórico, técnico e também um ponto de reflexão sobre a missão do rádio

por Flávio Fogueral

Em 30 de outubro de 1939 os botucatuenses viveram um momento de transformação e que entraria para a História. Era inaugurada a Rádio Emissora de Botucatu, conhecida popularmente como PRF-8, trazendo a chamada “Era do Rádio” ao município, com mudanças significativas no jornalismo e entretenimento e moldando a comunicação botucatuense nas décadas seguintes.

Resultado de intensa luta e mobilização da sociedade à época, a Rádio Emissora impactou diretamente o cotidiano botucatuense e tornou-se escola para profissionais e artistas. Foram diversos nomes que surgiram pelas ondas da F-8, que deixaram suas marcas ao longo do tempo. Para celebrar as oito décadas de existência da emissora e também da radiodifusão no município, está em formulação um livro em formato digital contextualizando toda a trajetória e trazendo perspectivas para este meio de comunicação.

Antiga e mais conhecida sede da PRF-8, na rua Marechal Deodoro, que durante décadas foi sede da movimentação artísticas e cultural de Botucatu

Com organização da jornalista e mestre em comunicação social Adriana Donini, a proposta será fazer um resgate histórico, técnico e também um ponto de reflexão sobre a missão do rádio em seus mais de oitenta anos no município. “A pioneira Rádio Emissora de Botucatu (PRF-8) tem uma trajetória relevante de interação com a sociedade local e também importante papel na iniciação de profissionais no meio radiofônico”, frisa Donini, que é autora de outra publicação sobre a radiodifusão botucatuense, o livro “No ar: Rádio em Botucatu, anos 1950 a 1970”, lançado em 2006.

Segundo a colaboradora, jornalistas, escritores e estudantes da área de comunicação poderão participar desta edição. Serão três categorias: artigos, que devem ser elaborados de acordo com as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); entrevistas/perfis de pessoas que trabalharam ou conviveram com a radiodifusão botucatuense e/ou regional; e relatos, que abrange experiências destes profissionais que atuaram em emissoras de Botucatu.

No entanto, os textos e trabalhos submetidos deverão ainda contemplar os seguintes temas: fase de implantação do rádio em Botucatu; programas que tiveram maior duração; profissionais que se destacaram, incluindo locução/apresentação, produção e técnica; gêneros e formatos explorados na programação; aspectos tecnológicos; mudanças no cenário de inovações como o advento da Internet e das redes sociais. Os capítulos devem ter, no máximo, 20 páginas formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5.

A submissão dos trabalhos ocorrerá até 30 de setembro, a fim de que o livro possa ser disponibilizado ao público ainda este ano. Não haverá custo para a participação na publicação que contará com distribuição digital e certificada com o International Standard Book Number (ISBN). 

Submissões e dúvidas podem ser obtidas diretamente com a editora, por meio do e-mail: [email protected] ou na fanpage oficial no Facebook: @cataventocomunica

A rádio pioneira de Botucatu

A Rádio Emissora de Botucatu, popularmente conhecida por PRF-8 é oficialmente a primeira estação de rádio do município. Surgiu durante a expansão da radiodifusão no Brasil na década de 1930. A viabilização foi possível após articulação de Olívio Nardy, que organizou a venda de cotas a fim de pagar o registro de autorização para transmissão. Enquanto se articulava financeiramente a viabilidade da nova emissora, os equipamentos técnicos eram montados na região da Vila Maria (mais precisamente ao lado da Igreja Nossa Senhora Menina).

Auditório da F-8, fazendo com que a rádio fosse uma das poucas no interior a contar com um espaço exclusivo para apresentações

Por fim, a inauguração ocorreu em 30 de outubro de 1939, tendo Emílio Pedutti como superintendente pioneiro. Angelino de Oliveira posteriormente ocupou o posto de diretor artístico, fazendo com que a emissora fosse um dos principais pontos de difusão cultural e de informação na região. A primeira sede estava no cruzamento das ruas João Passos e Moraes Barros. Anos depois instala-se em um prédio na rua Marechal Deodoro, onde ficou durante décadas. Edifício este caracterizado por seus estúdios e também pelo auditório, que receberam inúmeras apresentações e programas como O Reino da Gurizada e O Palanque, este último ainda no ar após cinco décadas. 

O controle da emissora passou por diferentes mãos, tendo até mesmo o ex-governador Adhemar de Barros como sócio. Durante décadas esteve sob controle da família Paganini, tendo o radialista e ex-prefeito Plínio Paganini como seu maior expoente. Em 2015 ocorre a venda da emissora para um grupo de comunicação de Campinas. Atualmente a emissora está sob a propriedade do radialista Vanderlei dos Santos e é afiliada à rede Jovem Pan News. Aos poucos, a F-8 ambiciona reconquistar o espaço e protagonismo entre os ouvintes neste novo momento da comunicação, onde as emissoras AM serão migradas ao FM e a constante concorrência da internet e os serviços digitais como streaming e podcasts.