Unesp de Botucatu perderá mais de 30 bolsas com cortes do governo federal

As universidades públicas correspondem a 95% da produção científica do país

por Flávio Fogueral

O recente anúncio dos cortes de investimentos à pesquisa e ensino superior por parte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) feito pelo governo Bolsonaro nesta semana, fará com que a Universidade Estadual Paulista (Unesp) tenha 160 bolsas com iminente risco de encerramento. 

Este corte pode atingir diretamente o câmpus da Unesp, em Botucatu. Desse total, 34 linhas de pesquisas são realizadas nas unidades instaladas (Faculdades de Medicina; Medicina Veterinária e Zootecnia; de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências), nas mais diversas áreas das ciências biológicas, médicas, veterinárias, agronomia e meio ambiente.

Este é o número apresentado pela Pró-reitoria de Pós-Graduação, que salienta que o número global representa 4,1% das 3.863 bolsas vigentes financiadas pela Capes, incluindo de programas com conceitos 6 e 7, os mais elevados na avaliação do próprio Ministério da Educação. Não há informação, no entanto, quais unidades de Botucatu que serão mais afetadas pela decisão do governo federal.

A projeção veio com os recentes anúncios por parte do Ministério da Educação, que decidiu pelo contingenciamento no orçamento para financiamento de pesquisas. Em 2 de setembro o governo federal promoveu a redução de 5.613 bolsas de mestrado e doutorado em todo o país. Desde o início do ano, mais de 12 mil linhas de pesquisa perderam seus financiamentos públicos diretos. Para 2020, a própria Capes perderá mais de 40% de seu orçamento anual: em 2019 foram investidos R$ 4,25 bilhões e, no próximo ano, R$ 2,2 bi.

Outra linha de financiamento governamental para pesquisas, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também corre o risco de ter redução junto à Unesp. A universidade ressalta que 2686 bolsas mantidas pelo órgão também podem ser encerradas.

As universidades públicas correspondem a 95% da produção científica do país. No período entre 2011-2016, o país teve 250 mil artigos publicados na base da Web of Science, ocupando a 13ª colocação em um ranking de mais 190 nações. Entre as três universidades que mais publicaram artigos estão as três estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp, respectivamente), com 91.410 artigos catalogados na plataforma, conforme levantamento da Academia Brasileira de Ciências. Somente a Unesp possui 20.023 pesquisas publicadas nos últimos cinco anos.