Movimento estudantil botucatuense se posiciona sobre a implantação de escola cívico-militar no Jardim Flamboyant

Possibilidade de implantação de um modelo cívico-militar tem mobilizado a comunidade no bairro

por Flávio Fogueral

Após a informação de que a escola Escola Municipal de Ensino Fundamental, Luiz Tácito Virginio dos Santos, no Jardim Flamboyant, pode se tornar o primeiro estabelecimento de ensino a adotar o modelo cívico-militar, a União dos Estudantes Secundaristas de Botucatu (UMES) se posicionou questionando a eficácia de sua possível implantação. A atual gestão da escola é da Prefeitura de Botucatu.

O documento, enviado ao Notícias Botucatu nesta terça-feira, 8, a UMES questiona a eficácia do modelo de escola cívico-militar que tem a ampliação como meta do governo do presidente  Jair Bolsonaro (PSL).  O modelo de escola cívico-militar é uma proposta do governo federal para uma gestão escolar compartilhada entre educadores e militares. Na prática, a gestão seria compartilhada, com professores e pedagogos a cargo da parte de ensino e os militares com a administração e disciplina.

A possibilidade de implantação de um modelo cívico-militar tem mobilizado a comunidade no bairro. Uma enquete foi realizada no último sábado, 5, questionando os presentes a um evento na escola, sobre uma pretensa implantação do modelo. Nesta quarta-feira, 9, uma reunião será realizada para esclarecimentos quanto ao modelo. A assinatura da adesão pode ocorrer ainda esta semana.

Na carta, assinada pelo presidente da UMES, Thiago Henrique Alves dos Santos, a entidade reforça que o município não necessitaria de um modelo misto de educação, o qual deveria ser integralmente gerenciado pelo Poder Público. “Nossa cidade tem construído uma brilhante história na área educacional nos últimos anos, sem precisar usar artifícios ideológicos ou se curvar a esse tipo populismo vil e descabido que de tempos em tempos assola nosso país”, salienta. 

Ressalta ainda que a escolha deveria ocorrer consultando também os alunos do estabelecimento. Ao todo o estabelecimento concentra 655 alunos matriculados do 1° ao 9° ano do Ensino Fundamental. “O que está em jogo é a formação de pessoas, seres humanos, que tem seu direito a voz assegurado pela Constituição Federal Brasileira. Na verdade são vítimas da onda de ignorância ideológica que assola nossa sociedade, que faz com que as pessoas acreditem que apenas com rigidez e violência será possível mudar o Brasil”, frisou Santos. 

A UMES busca agora viabilizar espaço na sessão ordinária da Câmara Municipal para explanar o posicionamento frente aos vereadores e comunidade.

Confira a íntegra da carta:

NOTA DA UMES-BOTUCATU CONTRA A MILITARIZAÇÃO DA EMEF “LUIZ TÁCITO VÍRGINIO DOS SANTOS 

A União dos Estudantes Secundaristas de Botucatu (UMES)- entidade representativa e popular dos estudantes do município – vem, de maneira pública, apresentar seu posicionamento contrário à militarização da EMEF “LUIZ TÁCITO VIRGÍNIO DOS SANTOS”- nossa querida Escola Flamboyant.

Com o argumento de melhoria da educação, na sessão ordinária da Câmara Municipal do dia 20 de setembro(2019), a Vereadora Jamila Cury (PSDB), em parceria com outros vereadores de sua ala, apresentou um requerimento pedindo a implantação de uma escola cívico-Militar em Botucatu, nos moldes do programa apresentado pelo Governo Bolsonaro (PSL). Atitude essa, que ao nossos ver, é esdrúxula, pois Botucatu é, e sempre foi referência em educação. A partir disso apresentamos nosso questionamento: a implantação de uma escola cívico-Militar em Botucatu irá ajudar na melhoria da Educação, ou, é apenas uma maneira de agentes políticos carreiristas construírem seu palanque eleitoral?

O modelo de escola cívico-Militar já se mostrou ineficaz, por ser uma máquina de fabricação de pessoas por meio da disciplina, e não uma instituição formadora de cidadãos. São inúmeros casos e reportagens que mostram o fracasso desse modelo de ensino no Brasil.

Temos como um de nossos princípios de base, a defesa da escola pública popular, livre e desmilitarizada, por isso, nos colocamos de forma contrária sobre o tema. Nossa cidade tem construído uma brilhante história na área educacional nos últimos anos, sem precisar usar artifícios ideológicos ou se curvar a esse tipo populismo vil e descabido que de tempos em tempos assola nosso país.

Não podemos apagar de nossa memória a “herança maldita” deixada pelo Regime Militar no Brasil, período em que a educação se calou em nome da ordem e da disciplina. Enfrentamos um cenário político parecido com o dos “anos de chumbo”, atualmente a educação pública tem sido alvo de retrocesso causado por governos descompromissados com o futuro do país, que a encaram como inimiga. Cortes, criminalização do ensino, mordaças e muito silêncio, tudo em nome da ordem e da disciplina.

É inaceitável o que tentam fazer na Escola “Flamboyant”, querem decidir o futuro da escola sem consultar aqueles que mais serão afetados, os próprios alunos, que são excluídos da tomada de decisões, deixando para aqueles que conhecem de longe , ou talvez, nem conheçam a realidade da escola. O que está em jogo é a formação de pessoas, seres humanos, que tem seu direito a voz assegurado pela Constituição Federal Brasileira. Na verdade são vítimas da onda de ignorância ideológica que assola nossa sociedade, que faz com que as pessoas acreditem que apenas com rigidez e violência será possível mudar o Brasil.

Pois bem, acreditamos que um novo Brasil só pode ser construído com educação de qualidade, com liberdade,  com democracia, com vez e com voz. Estamos do lado dos alunos e da comunidade pacificadora, lutaremos até fim para que a educação de nosso município continue como sempre foi, de qualidade, livre e desmilitarizada.

“Quando a Educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor.”- Paulo Freire 

Thiago Henrique Alves dos Santos- Presidente da UMES

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