Por que o mal existe?

O filme coloca ainda a questão de que matar não necessariamente precisa ter uma motivação especial

por Oscar D’Ambrosio*

O que leva uma pessoa a praticar o mal? Por que um rapaz inteligente e boa pinta comete dezenas de assassinatos de jovens mulheres e ainda consegue que duas delas, a esposa e a amante, o acompanhem até o momento em que é eletrocutado pela justiça? Essas indagações existenciais e filosóficas são inevitáveis ao ver o filme “Ted Bundy: a irresistível face do mal”.

Dirigida por Joe Berlinger, a obra conta a trajetória de Theodore Robert Bundy, o “Ted Bundy” (1946 – 1989), que matou mais de 30 mulheres entre 1974 e 1978. Vivido com carisma por Zac Efron, o personagem sempre busca criar dúvidas sobre a sua culpa, seja pelos argumentos que utiliza em sua própria defesa jurídica seja pelo nodo carinhoso como lida com a esposa.

Aliás, a atriz Lily Collins, que interpreta a fiel companheira, consegue um interessante resultado justamente por viver um processo de negação que lhe impede de ver no seu companheiro, que a trata com delicadeza, um serial killer perverso e incorrigível, capaz de causar os mais diversos tipos de morte sem nenhuma espécie de piedade.

O filme coloca ainda a questão de que matar não necessariamente precisa ter uma motivação especial. Talvez seja uma espécie de dom invertido, ou seja, se há aqueles que parecem sempre dispostos a multiplicar a bondade humana, existem os prontos a destruir. E ambos os extremos, por um motivo ou outro, fascinam.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.