Entidade é extinta e patrimônio passa a pertencer à Prefeitura

Taenca detinha o Cineteatro Nelli e cerca de R$300 mil em conta. Uso deverá ser exclusivo para área cultural

por Sérgio Viana

Como foi noticiado pelo Notícias.Botucatu (clique), na manhã do último sábado (8), associados do Teatro Amador da Escola Normal Dr. Cardoso de Almeida, o Taenca, se reuniram em assembleia sob a pauta de decidir pela extinção ou não do grupo, que surgiu em 1958, através de votação. O resultado foi 12 votos a favor da extinção e 6 contrários, ou seja, pela manutenção do grupo.

A partir de agora, de acordo com o regimento interno que vigorava na entidade, o patrimônio do Taenca, como o prédio onde hoje funciona o Cine Nelli e um saldo de conta bancária no valor de cerca de 300 mil reais, passarão a pertencer à Prefeitura.

“A parte legal deste processo eu não sei exatamente como será. Mas, eu já tive uma conversa com o prefeito [João Cury] (PSDB) e ele garantiu que o prédio terá uso exclusivo para destinação cultural”, é o que informa o secretário de Cultura municipal, Osni Ribeiro (PCdoB). Ele ainda comenta que não se sabe até quando o prédio abrigará o atual cinema – único na cidade -, e que isso dependerá da inauguração de outras salas, como as do shopping que deve ser inaugurado ainda neste ano. “Não podemos deixar a cidade sem uma sala de cinema. E vamos avaliar se os cinemas que serão inaugurados conseguirão atender à demanda da cidade”, argumenta.

Do outro lado, João Aguiar, ex-membro do agora extinto Taenca, lamenta a decisão tomada pela maioria e diz que ainda não está definido se alguma atitude jurídica será tomada. “Nós ficamos frustrados. Tentamos adiar mais uma vez para nos organizarmos melhor, pois no sábado houve pessoas presentes por terem se sensibilizado com a situação e falaram a nosso favor. Agora vamos esfriar a cabeça e depois pensamos se ainda há algo a fazer”, lamenta Aguiar. Segundo ele, não houve a presença de nenhum representante da prefeitura, mas a mesma não se faria necessária, uma vez que o advogado Samir Zacharias, que há poucos anos recuperou o Taenca como associação, “representa os interesses” do poder público. De fato, Zacharias assumiu na semana passada que foi incumbido pelo prefeito a recuperar tal patrimônio ao município.

Desafogar o Municipal e incentivar novos projetos

Osni Ribeiro ressalta que tem grande admiração e reconhecimento pelo trabalho realizado pelo Taenca no passado, mas que infelizmente a entidade ficou muito tempo sem ação alguma – cerca de 30 anos.

“É difícil manter uma associação tão grande como essa. Agora, temos que pensar na destinação cultural, discutir com os novos grupos [artísticos] como faremos o uso para o município. Umas das ações é desafogar o [Teatro] Municipal, que muitas vezes tem problemas com excesso de espetáculos na sua agenda”, frisa o secretário.

Ainda na tarde de sábado, logo após a dissolução do Taenca, Osni se manifestou num post de José Paes Almeida Nogueira Pinto, filho de um dos fundadores do grupo e irmão do dramaturgo Alcides Nogueira. Abaixo o comentário do secretário.

osni taenca

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