Curta-metragem transporta ‘Dioguinho’ para os canaviais paulistas

‘Matador’ usou locações em Itatinga e leva o personagem para vivenciar situações na década de 1970

por Flávio Fogueral

Botucatu rende histórias. Personagens que fizeram a diferença, seja na ciência, esporte ou nas artes. Mas também há as suas figuras polêmicas e até mesmo os controversos e avessos à lei. Uma dessas pessoas que marcaram a história por meio de sangue e morte foi Diogo da Rocha Figueira (1863/1897).

Dioguinho: acusado de praticar mais de 50 homicídios entre 1894 e 1897

Dioguinho: acusado de praticar mais de 50 homicídios entre 1894 e 1897

Dioguinho, como foi popularmente conhecido, foi um dos maiores matadores de aluguel em todo o interior paulista e esteve na lista dos mais procurados pela Justiça no final do século XIX. Mais de cinquenta pessoas teriam sido mortas por suas mãos entre 1894 e 1897. Foi morto às margens do Rio Mojiguaçu após um tiroteiro com policiais. O corpo nunca foi encontrado, o que aumentou ainda mais o mistério em torno do criminoso. A imprensa da época deu grande destaque ao bandido, que acabou se tornando tema de livros ainda no início do século passado onde retratavam sua vida e os crimes praticados.

Mais de um século após sua morte, o personagem ainda está presente no folclore e na história policial. E toda a sua mítica atiçou a curiosidade do diretor Cleiner Micceno que filmou o curta metragem “Matador”, adaptação inspirada na vida de Dioguinho. A produção do curta é da Mambo Produções, João Rafael de Oliveira e Felipe Alves.

O roteiro transportando a situação original, que ocorreu durante o período da escravatura nas plantações de café durante o século 19, para a Ditadura Militar brasileira, na década de 1970. Diogo se vê imerso na produção sucroalcooleira e nos canaviais paulistas, com trabalhadores vivendo em quase semiescravidão.

“A adaptação para uma época moderna, diferente da vivida por Dioguinho não o fez perder de todo a essência nem da situação nem do personagem. Levando para os anos finais da ditadura, onde muitos brasileiros ainda viviam uma realidade de semiescravidão muito parecida, mas já nos canaviais onde migrantes tinham seus direitos aviltados. O matador seria o algoz contratado para eliminar os insurgentes que tentariam mudar essa realidade”, explica Cleiner.

Compõem o elenco os atores Luís Freitas (Dioguinho), Joice Monteiro, Hugo Muneratto, Claudemir Guerra, Daniel Moura e Andrea Moscatelli. Alguns atores do elenco de apoio e figurantes são de Itatinga, Tietê, Jumirim, Pereiras, Cequilho, Tatuí e Cesário Lange.

O curta se originou de uma ideia durante oficina de vídeo em Itatinga. É na cidade onde foram feitas a maioria das cenas vistas no curta. As filmagens ocorreram em maio em casarões e fazendas próximas.

“O filme em si é uma homenagem ao cinema marginal, pela ambientação, nas imagens e nos diálogos. Logicamente que Dioguinho conta com uma leitura mais moderna, mas essencialmente crua e direta característica essencial do cinema marginal paulistano”, complementa o diretor.

“Matador” será exibido a partir de julho em Sorocaba e será disponibilizado no canal do diretor no Youtube (https://www.youtube.com/user/Reverendstalker). Há a possibilidade de que algumas cidades da região recebam a projeção do curta.

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