A emoção no adeus ao padre Zezinho Lorusso

Despedida ao pároco reuniu centenas de pessoas durante as celebrações realizadas no domingo. Enterro foi no Portal das Cruzes

por Flávio Fogueral

Missas lotadas e uma multidão emocionada. Rostos marejados e lágrimas que caíam a todo instante dos fiéis. A emoção foi o principal tom na despedida ao padre monsenhor José (Zezinho) Lorusso, que faleceu no sábado, 2 de janeiro, após ficar dias internado na Misericórdia Botucatuense, devido a problemas de saúde, não informados pela Arquidiciocese Meteropolitana. 

O velório realizado durante todo o domingo (3), na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Vila dos Lavradores, reuniu centenas de católicos, amigos e pessoas que conviveram com o pároco. A missa de corpo presente, realizada às 15 horas, marcou a despedida em tom de celebração, gratidão e comoção. Era frequente fiéis se aproximarem do caixão e fazer as despedidas em lágrimas. 

Celebrada pelo arcebispo Metropolitano dom Maurício Grotto de Camargo, a missa que marcou o adeus a Lorusso teve o cerimonial de exéquias, onde foram realizadas orações pelos párocos presentes no rito de passagem do morto. 

Velório e Enterro- Padre Zezinho Lorusso

O maior legado, segundo o arcebispo metropolitano, foi de um 'missionário alegre, bem-humorado, cuja alegria era uma de suas principais características'. Dom Maurício lembrou do trabalho desenvolvido frente à Igreja Católica em Botucatu como a criação da Cáritas e das pastorais sociais. "Ele tinha uma sensibilidade humana e profética muito forte e evangélica. Ao contrário do que muita gente possa pensar, ele pessoalmente levava uma vida austera, severa em relação a si mesmo. Haveremos de sentir a sua partida, mas ao mesmo tempo em que estamos serenos, alegres em saber que ele está na glória de Deus", enfatiza o arcebispo.

"Trinta anos é mais do que um quarto de século. Durante esses anos ele esteve na paróquia Sagrado Coração de Jesus, mas o legado ultrapassa a mesma (sic). Ele não trabalhou somente na paróquia, ficou sempre à disposição dos bispos, sobretudo em época que havia um número menor de padres. Monsenhor Lorusso trabalhou não somente com a comunidade, foi vigário-geral da Arquidiocese, além de representante dos presbíteros", ressaltou dom Maurício.

Padre José Lorusso foi sepultado às 17 horas no Cemitério Portal das Cruzes, após ser aplaudido pela multidão que acompanhou o féretro.

Ouça aqui a entrevista com Dom Maurício

Vida de missionário

Nascido em 12 de janeiro de 1936, na cidade de Bari (Itália), José Lorusso mudou-se aos 12 anos para Roma. Penúltimo filho de 10 irmãos, Lorusso foi ordenado padre na Basílica de São Pedro, no Vaticano, pelas mãos do cardeal Eugênio Trisserant, vigário geral de Sua Santidade Papa João XXIII. 

Transferido ao Brasil ainda jovem, passou por diversas paróquias, até vir para a região na cidade de Bauru e, posteriormente, Botucatu. À frente da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Vila dos Lavradores, monsenhor José Lorusso definia-se como missionário, e empreendeu trabalho de renovação sob os aspectos, principalmente nas pastorais. Transformou a paróquia em uma das mais populares e carismáticas de Botucatu. Ficou à frente da paróquia por 29 anos. Um de seus últimos atos foi a inauguração da Igreja do Divino Pai Eterno, em fevereiro de 2013, instalada no Centro Comunitário do Jardim Monte Mor.

Carismático e polêmico, Lorusso foi atuante quanto à vida política e dos problemas sociais de Botucatu. Uma de suas últimas atividades foi visitar regiões com índices de extrema pobreza no Norte e Nordeste do Brasil.