4 anos sem Imprensas

Uma lembrança-homenagem boêmia

por Sérgio Viana – Foto Robert Coelho

4 anos atrás, no dia 10 de março de 2012, o Imprensas Bar baixava suas portas pela última vez. Aquilo não era um bar na verdade… Quer dizer, era também, mas havia algo mais, seja no agito que às vezes tomava parte da rua ao lado do Espaço Cultural de Botucatu, ou nos dias frios e, talvez, chuvosos em que sentar-se ali não deveria passar de um bom exercício de solidão – que poderia vir acompanhada de um belo pastel ou maravilhoso cachorro-quente duplo acebolado c/ queijo da Dona Ondina, ou de uma geladíssima servida pelo lendário seo Manoel.

Inaugurado em 1991, o bar de Manu e Dina foi batizado graças a funcionários do jornal Diário da Serra, que também não surgira havia muito tempo. Era tradição entre alguns jornalistas finalizar a edição do jornal que sairia no dia seguinte e partir para o bar.

O gráfico e diagramador Edil Gomes, que trabalhava no Diário naquele período, lembra que o autor do nome Imprensas foi seu colega Gervásio Manoel da Silva. “Por incrível que pareça, eu estava com o Gervásio no dia em que ele deu o nome. Lembro que o Manoel, marido da Ondina, estava pensando em alguns nomes, daí o Gervásio deu a ideia de Imprensas”, recorda Edil, que também afirma não ter qualquer notícia sobre o paradeiro de Gervásio há muito tempo.

Quem passasse em frente ao Imprensas, na Rua Campos Sales n°642, podia achar que ali era um local que só havia bebidas, alguns caras encostados do lado de fora do balcão e o seo Manoel atendendo. Mas ali, atrás daquele balcão, é onde dona Ondina também preparava lanches e pastéis, além de uma maionese especialmente maravilhosa. Foram pouco mais de 20 anos dedicados ao bar. “Estou com 66 anos muita vitalidade e cabeça de trinta, aposentada e cuidando de uma neta muito linda. Não fosse isso estaria trabalhando novamente. Amei trabalhar esses vinte anos, adorava o que fazia”, afirma dona Dina, como muitos clientes carinhosamente a chamavam. Mesmo após 4 anos sem trabalhar na área, Dina diz que a saudade é grande dos clientes e amigos que fez no seu Imprensas: “Se eu pudesse arrumaria um local e começava tudo outra vez”.

E isto, com certeza, não é um desejo só da proprietária. Não é difícil ouvir entre amigos que procuram um simples bar pra tomar uma cerveja a expressão “vamos pro Imprensas!?”.

“O Imprensas era um lugar em que eu me sentia em casa. A gente ensaiava ali do lado, no Espaço Cultural, logo era fatal nem que fosse só dar uma passadinha. O local teve suas épocas de fama, quando a rua fica intransitável, apinhada de gente. E teve também suas fases mais miadas, quando alguns até o chamavam de Deprensa´s. Pra mim sempre foi um sucesso. Até hoje sinto muita falta daqueles lanches e pasteis deliciosos, da cerveja sempre gelada por um preço honesto, da meia dose de whisky bem servida e daqueles dois amores que são a Dona Dina e o Manuel. Era de lei após uma apresentação irmos ao Imprensas comemorar. Enchíamos o bar e às vezes até acabávamos com o pão de tanto lanche que saía. Agora quando todo mundo se olha e pergunta: "Vamos tomar uma aonde?", escorre uma lagriminha nos corações dos orfãos do Imprensas”, diz o diretor de teatro e Notívago Burlesco, Robert Coelho.

 “Comecei a frequentar o Imprensas aos 14 anos, após os ensaios de teatro que aconteciam no Espaço Cultural, lá se tornou o nosso ponto de encontro. Gostava do Imprensas por ser um barzinho calmo, sempre cheio de amigos. Dona Dina e seu Manuel são pessoas maravilhosas que cuidavam de quem frequentava, gostava da companhia deles e dos clientes assíduos,  [como o] eterno seu [Celso] Camacho que se tornou um amigo, Adilson, seo Purga, seo Didi, enfim… Eu me sentia bem lá. E hoje, quatro anos depois do fechamento, só tenho a dizer que continuo com esperança deles voltarem [risos]. Foi e sempre será o melhor bar de botuca. 20 anos de história, de amizade, de comida gostosa, daquela luz baixa, das risadas… 20 anos de muitas coisas boas pra contar”, rememora Débora Tairini Lopes, que apesar de ter sido precoce na ida ao bar, hoje tem 24 anos (nasceu também em 1991, como o Imprensas) e é advogada.

 

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