Fechado há 3 anos, prédio que abrigava base da PM pode ser devolvido

Polícia Militar parou de atuar no local por causa de problemas estruturais. Reforma foi debatida em 2014

por Flávio Fogueral

A Base Comunitária da Polícia Militar, inaugurada em 2003, para atender aos bairros Jardim Peabiru e Jardim Brasil, mobilizou a comunidade e proporcionou a descentralização no policiamento nos bairros daquela região. Treze anos após sua criação, o espaço está fechado e enfrenta a ação do tempo e sua posterior deterioração. O fato faz com que o comando da PM, em Botucatu, estude a devolução da área ao Estado para uso por outro órgão público.

Há três anos, a base foi fechada definitivamente ao público. Localizada na Avenida Conde de Serra Negra, o prédio integra um terreno que compreende o complexo escolar com a Escola Estadual Armando Salles de Oliveira (escola que seria desativada com a reorganização escolar do governo Geraldo Alckmin) e a  EE Álvaro José de Souza, o Armandinho.

Não é possível acessar o prédio. As portas principais continuam fechadas. Mesmo assim, a população e curiosos podem visualizar os sinais de degradação no local. Na parte externa, o prédio ainda mantém sua pintura original e muitos dos vidros resistem à ação do tempo e de vandalismo. Outros, no entanto, foram quebrados e na porta principal é possível visualizar o abandono na parte interna. Cadeiras, bancos e outros móveis sem uso empoeiram. O piso acumula poeira, sujeira vinda da rua, além de lixo. As paredes apresentam o resultado de infiltração, com ferrugem em batentes de portas e bolor.

No entorno, as plantas que compõem o jardim da base recebem cuidados de populares e da Prefeitura, segundo relatos. Mas tais ornamentos dividem espaço com lixo jogado por populares como alimentos, restos de cigarros e, por fim, fezes. A reportagem do Notícias.Botucatu esteve no local em duas oportunidades na semana passada. Na primeira visita, o estacionamento público continha fezes.

Base Comunitária da PM- Jardim Peabiru

A PM reafirma que o fechamento da base se deve a problemas estruturais. Por meio de nota oficial, o 12º Batalhão de Polícia Militar, reforça que, o espaço contava “geralmente com apenas um policial de serviço durante o horário comercial, realizando prioritariamente a confecção de Boletins de Ocorrência de acidentes de trânsito sem vítimas, ações de prevenção primárias pontuais e prestando informações em geral”, frisa o documento assinado pelo capitão Marcelo Ricardo Silva, chefe da Seção de Comunicação Social do 12º BPM.

Mesmo com o fechamento da base, a PM ressalta que “o policiamento da região não foi prejudicado, pois, é atendida, como os demais bairros do município de Botucatu, pelas diversas modalidades de policiamento preventivo existentes no município, tais como, Radio Patrulha, Força Tática, ROCAM (policiamento com motos)”, ressalta a nota.

A base comunitária do Jardim Peabiru teve a construção viabilizada por meio de doações de empresas e populares, através da articulação do vereador Reinaldo Mendonça Moreira, o Reinaldinho, na gestão do então prefeito Antônio Mário Ielo.

Prefeitura frisa que responsabilidade pelo prédio é da PM

Questionada quanto à reforma do prédio que abrigava a base da PM no Jardim Peabiru, a Prefeitura de Botucatu, por meio da sua Assessoria de Imprensa, ressaltou que a responsabilidade de manutenção e reforma do espaço é da própria Polícia Militar.

No entanto, o Executivo Municipal coloca-se à disposição da PM caso a mesma venha decidir a ceder o espaço. “Caso isso ocorra, a Prefeitura não descarta fazer um estudo de ocupação e fazer os investimentos necessários para que o local possa ser uma possível base da Guarda Civil Municipal. Vale lembrar que a Prefeitura está investindo R$ 838 mil na construção de uma nova base à PM, junto à futura entrada do campus da Fazenda Lageado, na Avenida Universitária”, salienta a nota encaminhada pela Assessoria de Imprensa.

Moradores do entorno preocupados com a segurança

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Local está fechado há 3 anos. (Foto: Flávio Fogueral)

Alguns populares externam a sua preocupação com o fechamento do posto policial. O local é de grande circulação de pessoas já que a avenida Conde de Serra Negra, é o principal corredor comercial da região. Além disso, a existência de duas escolas públicas no mesmo quarteirão também concentra um número considerável de estudantes. Somente a EE Armando Salles de Oliveira tem 450 alunos.

Muitos moradores ouvidos pelo Notícias.Botucatu preferiram não se identificar, relatam o uso frequente de entorpecentes no entorno da base, mesmo durante o dia. Um dos vizinhos, que mora há 26 anos no bairro, relata que é fácil visualizar pessoas consumindo drogas nas proximidades. “Se a base estivesse ativada, era uma segurança a mais para os moradores. Vivemos em uma região que o uso de entorpecentes é frequente”, relata. Segundo este morador, mesmo com as rondas frequentes da PM na região, a ação é insuficiente para inibir ações de tráfico.

Para outro morador, a presença da base proporcionava sensação de segurança na região. “Ficamos triste em ver que a base está fechada, pois poderia continuar sendo usada em benefício da população”, opinou.

Um dos comerciantes da região frisa que, mesmo com as rondas da PM, a presença contínua de um policial na base seria necessária. “Uma estrutura como essa, sem uso, dá dó. Mesmo as viaturas passando sempre por aqui, ter a polícia fixa aqui  é outra história”, finalizou.

Reunião, há dois anos, tratou de reforma no espaço

Em 2014, uma reunião foi promovida entre o prefeito João Cury Neto, o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar em Botucatu, capitão Cagliari e o vereador Reinaldo Mendonça Moreira. Em discussão, a possível reforma do espaço. Leia mais sobre a reunião aqui.

Segundo vereador Reinaldinho, a reforma do prédio seria viabilizado com o valor arrecadado pela venda do prédio onde está localizada a 1ª Companhia da Polícia Militar, na Rua Major Matheus. O montante seria investido, então, na construção da nova base da PM, nas proximidades da Fazenda Lageado; e posteriormente, na reforma do espaço usado pela polícia no Jardim Peabiru.

O parlamentar não esconde a frustração que, mais de dois anos após a reunião, nenhuma ação para o reparo ocorreu. “Foi uma luta de toda a comunidade daquela região. É uma sensação de decepção com o Poder Público, pois aquela base é um prédio público construído às custas de doações da comunidade”, salientou Reinaldinho. Ele informou que protocolará novamente um questionamento ao prefeito João Cury Neto sobre a reforma do prédio no Jardim Peabiru.

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