A redação no vestibular

Nos maiores vestibulares do país, ela tem um peso de 20% a 30%, isso sem falar sobre a importância da boa produção textual

por Nelson Letras

Ah, o vestibular! Momento de demonstrar o conhecimento adquirido, a capacidade de raciocínio, a capacidade de interpretar e produzir textos… Um dos fatores determinantes para que o candidato seja aprovado nas avaliações é a redação. Nos maiores vestibulares do país, ela tem um peso de 20% a 30%, isso sem falar sobre a importância da boa produção textual para as questões dissertativas que envolvem outras disciplinas.

Professor Nelson é formado pela Unesp de Assis

Professor Nelson é formado pela Unesp de Assis

Os vestibulares da Unesp e da USP (e a prova do ENEM) exigem de seus candidatos textos dissertativos. Tanto a Vunesp quanto a Fuvest têm elaborado propostas que permitem ao candidato produzir a dissertação argumentativa ou artigos de opinião – pelos menos isso ocorreu nos últimos dois, três anos -; já o ENEM continua exigindo o texto argumentativo e com um critério a mais de correção: uma proposta de conscientização social sobre a questão abordada. A Unicamp e outras universidades como UEL e UEM também cobram do vestibulando outros gêneros textuais.

O tipo de texto mais cobrado, de uma maneira geral, a dissertação argumentativa é um texto que possui a apresentação do assunto, uma tese (um ponto de vista sobre o assunto), argumentos que desenvolvam, comprovem essa tese, e a conclusão. Já os outros gêneros textuais trabalham as mais variadas modalidades que envolvem a escrita; pode ser uma carta, um e-mail, uma entrevista, um conto, uma crônica, uma síntese, uma notícia, um resumo, um manifesto etc.

Para que o candidato elabore um bom texto, é importante que esteja sempre praticando não só a escrita, como também a leitura. Ele não precisa saber minuciosamente determinado assunto. O importante é que ele consiga desenvolver um pensamento próprio e não uma “reprodução genérica” sobre o tema. A isso podemos denominar de “conceito de autoria”: quando o candidato produz um texto com autonomia, com personalidade; um texto pelo qual ele demonstre que possui identidade e, na maioria dos gêneros textuais, senso crítico.

Muitos jovens acreditam que, por exemplo, uma dissertação argumentativa deve ter cinco parágrafos, sendo o primeiro para a tese, o segundo, terceiro e quarto para o desenvolvimento, para os argumentos, e o quinto para a conclusão; ainda acreditam que esses parágrafos, obrigatoriamente, necessitam de citações, alusões históricas, referências a obras literárias etc. Entretanto não são estes os principais pontos avaliados pelos examinadores. O texto pode ter dois, três parágrafos e, mesmo assim, receber a nota máxima. Na avaliação, cobra-se a adequação à proposta, o desenvolvimento do tema, a coerência, a clareza e, conforme disse antes, o conceito de autoria. As técnicas textuais devem ser utilizadas para facilitar a escrita, para melhorar o conteúdo e a estilística do texto, e não para “engessar” o vestibulando.

É claro que o texto no qual forem utilizadas, de forma coerente, citações, alusões históricas, referências literárias… receberá uma boa nota. Mas o candidato não deve ser um refém dessas técnicas, pois um texto sem estas pode ser melhor do que outro que as tenha. O que vale é o conteúdo; afinal, é este o motivo de haver a redação no vestibular: para que o candidato demonstre: a capacidade de comunicar pela escrita, de interpretar o tema, a coletânea e, assim, desenvolver o que foi pedido; e que é um ser pensante, e não um robô o qual só sabe repetir aquilo que os outros ditam.

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