Um governo para Temer

A mediocridade do ministério do Temer, com muitos investigados por corrupção, só é surpresa para os desavisados

por Valdemar Pereira de Pinho*

Desde a divulgação dos resultados das eleições de 2014 os partidos e instituições de direita tramavam o golpe. Temer vislumbrou a possibilidade de ter o governo sem concorrer em eleições. Para isso precisava se credenciar junto aos golpistas. “Uma ponte para o futuro”, que na verdade é uma pinguela para o passado, foi a sua senha para se credenciar a cumprir o papel desejado pelos golpistas. É o programa ideal da direita apresentado pelo PMDB.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Elaborado por teóricos do neoliberalismo, visa dar marcha-ré nas conquistas “dos de baixo” e desmontar o que o Estado tem de bem-estar social e “atividades supérfluas”. E dirigir o Estado para o enriquecimento dos 10% que se auto-intitulam “a elite do país”, voltando ao passado dos que queriam “MEU país de volta”. Nenhum partido teria coragem de apresentar essa proposta para uma eleição. Seria fatalmente derrotado nas urnas. Mas, para um governo que é resultado do golpe, é o programa ideal.

A mediocridade do ministério do Temer, com muitos investigados por corrupção, só é surpresa para os desavisados. Para o serviço a que seu governo se presta não é preciso grandes estadistas. Alguns foram ministros dos governos petistas “para garantir a governabilidade” e já eram medíocres, mas tinham que seguir a política determinada pelos Presidentes. Mudou o Presidente. Agora sua função é destruir a capacidade do Estado de promover avanços educacionais, culturais e econômicos para a maioria dos brasileiros.

É uma política de terra arrasada, com extinção de ministérios que tinham funções de inclusão social, e entrega de ministérios a políticos que visam reduzir seus papéis. José Serra no Ministério das Relações Exteriores é a volta do “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Adeus política externa independente.

A extinção do Ministério da Cultura foi comemorada por vários brucutus, como Silas Malafaia que o classificou como “antro de esquerdopatas”. Só faltou acrescentar “Quando ouço a palavra cultura, saco o meu revólver”;, frase dos fascistas e nazistas (autoria de Hermann Goering ou Hanns Johst?). Foi incorporado ao Ministério da Educação. Cujo ministro é Mendonça Filho do DEM, que entrou em 2009 com uma ação no Supremo contra a política de cotas em universidades públicas. Tem vários projetos apresentados classificando como “organizações terroristas” movimentos sociais que protestam. Declarou ser a favor da cobrança por cursos em universidades públicas.

Outro extinto foi o das Comunicações que pretendia colocar em discussão a regulação da mídia com base nas legislações dos países desenvolvidos. Assim não há risco para as famiglias que tem o monopólio das comunicações no Brasil. Foi incorporado à Ciência e Tecnologia, comandado por Gilberto Kassab!!!

O de Desenvolvimento Agrário, que desenvolvia políticas específicas para a agricultura familiar e pequenos agricultores, foi incorporado à Agricultura comandada por Blairo Maggi, integrante da bancada ruralista e um dos maiores produtores de soja do mundo. Foi relator de PEC que propõe o fim do licenciamento ambiental e é um dos campeões em desmatamento.

Os das mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos… pra que isso? Foram para o Ministério da Justiça e Cidadania comandado por Alexandre Moraes, ex-Secretário de Segurança de São Paulo, acusado de truculência com movimentos sociais e advogado de Eduardo Cunha, cujo apoio foi fundamental pra ser Ministro da Justiça.

A Controladoria-Geral da União (CGU), que tem sido importante no combate à corrupção, também foi extinta. Quem ainda acha que o golpe foi contra a corrupção… Na primeira semana o governo mostrou ao que veio: Fim da gratuidade no ensino público superior; Redução do SUS, com possibilidade de cobrança por serviços, fim do “Farmácia Popular” e estímulo aos planos privados de saúde; revogação da construção de 11.500 casas do Minha Casa, Minha Vida; acertos para aprovação de projetos que precarizam as relações de trabalho e a CLT.

E promete mais. Fim de vinculação de receitas pra Saúde e Educação, entrega do Pré-sal para a Chevron, meio caminho já andado com a aprovação do fim da exclusividade da Petrobras na sua exploração, de autoria do Zé Serra. Adeus Fundo do pré-sal para educação e saúde. E “privatizar tudo o que for possível”, leia-se Petrobras, Caixa Federal e Banco do Brasil.

Você não sabia pra que o golpe?

*Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

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