Estrangeirismos sim, modismos não

O problema é que o brasileiro possui o costume de valorizar demais aquilo que vem de outros países.

por Professor Nelson*

Com a mão direita no rato, após encontrar o local da teia desejado, clico para fazer um abaixamento de arquivo. Calma, leitor! Não se desespere, eu traduzo: “com a mão direita no mouse, após encontrar o website desejado, clico para fazer um download”. Mas agora surge a indagação: eu traduzi para o português? Como assim? Para ser compreendido, tive de usar palavras estrangeiras! Pois é, nosso vocabulário possui muitas palavras estrangeiras. Aliás, muitos vocábulos que usamos possuem origem, por exemplo, francesa, inglesa, árabe; acontece que os aportuguesamos (que palavra esquisita, não!).

Professor Nelson é formado pela Unesp de Assis

Professor Nelson é formado pela Unesp de Assis

“E foi batido um novo recorde”! Embora este seja um bom exemplo de um termo que já foi aportuguesado – “recorde”, com a sílaba tônica em “cor” -, ainda há muitos que usam a palavra inglesa “record”. Esse tipo de adaptação vocabular também ocorreu há algumas décadas com a palavra futebol, do inglês foot-ball. Na época, alguns puristas de nosso idioma insistiam em utilizar a palavra de origem latina “ludopédio” (jogo com os pés), mas ela acabou não pegando (por que será?).

No final da década de 1990, o então deputado Aldo Rebelo apresentou um projeto de lei que previa sanções contra o emprego abusivo de estrangeirismos. De acordo com ele, a língua portuguesa vinha passando por uma descaracterização devido à entrada de muitas palavras inglesas, como holding, recall, coffe-break. Aldo tinha a preocupação de que a entrada de muitas palavras estrangeiras serviria como forma de dominação cultural. Quanto a isso, concordo com ele, pois precisamos valorizar mais nossa cultura, mas a proibição de termos estrangeiros não é o melhor caminho. Quanto ao projeto criado por Aldo, de vez em quando, ainda gera discussões em Brasília.

O problema é que o brasileiro possui o costume de valorizar demais aquilo que vem de outros países. Parece mais chique para muitos, ou melhor, mais fashion. Mas pensemos bem, qual a necessidade, por exemplo, de uma loja colocar um cartaz com o texto “for sale”, no lugar de “liquidação”. É algo desnecessário. Todavia muitos brasileiros não veem dessa maneira e acabam supervalorizando termos estrangeiros em detrimento dos luso-brasileiros.

É claro que, com a revolução da internet, muitos vocábulos ingleses se tornam imprescindíveis. E-mail, site, download são algumas palavras que não devem ser substituídas, uma vez que já fazem parte desse sistema de comunicação que possui uma linguagem mais universal. São palavras de origem inglesa, mas que se adaptaram de forma natural ao vocabulário do brasileiro que usa a internet.

Chat, fanpage, self-service, delivery, fast-food, shopping center, show, pendrive, blog, software… Não adianta lutar contra. Os estrangeirismos já fazem parte do dia a dia de muitos brasileiros. Entretanto precisamos fortalecer nossa cultura para que a importação não apenas de termos desnecessários, como também de quaisquer banalidades, pare de ocorrer. Não sejamos meros usuários de criações alheias, chega de influências negativas. E que o progresso seja bem-vindo, venha de onde vier.

*Professor Nelson é formado pela Unesp de Assis

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