É preciso resgatar a boa Política!

Esse desprezo e carga negativa jogada para a política aumentam a cada dia e se alastra para os diversos setores da sociedade

por Carlos Ramos*

Nunca se discutiu tanto sobre Política no Brasil como vem acontecendo nos últimos anos, em todos os lugares que vamos, vemos pessoas conversando sobre o assunto, neste momento de crise econômica e ética, a sensação é de que a política tornou-se a grande vilã da sociedade.

Esse desprezo e carga negativa jogada para a política aumentam a cada dia e se alastra para os diversos setores da sociedade, atinge jovens e velhos, homens e mulheres, ricos ou pobres.

O simples fato de você falar que vai entrar para a política, já leva as pessoas a olharem com desconfiança, já acham que você está acertando sua vida, política virou sinônimo de roubo, de coisa ruim.

Mas tudo isso não é por acaso, a política foi muito maltratada no decorrer dos anos, muitas pessoas entraram para defender interesses próprios, confundiram o que é público com o que é privado, se apropriaram do que é de todos.

Todos os dias, a grande mídia nos mostra escândalos nas várias esferas de governo, envolvendo todos os partidos políticos, empresários sendo presos, tráfico de influências, o que era para ser exceção acaba virando regra, acaba ficando no imaginário da população a generalização de que todos são iguais, todos os políticos são corruptos e ladrões.

Temos também o pior Congresso de toda a história, chantagista, obscuro e conservador, que tem nos levado a um retrocesso na pauta dos Direitos Humanos e por não aprovar nada no último ano nos levaram ao retrocesso político e econômico também, ficou escancarado na votação do impedimento da Presidenta Dilma, o nível do congresso que temos, seria cômico se não fosse trágico. Um congresso afastado dos anseios dos cidadãos.

Diante de um cenário como este, muitos defendem o fim da política. Mas o que aconteceria se acabassem com ela? O que viria depois? O fascismo? Ou algum ditador inconsequente tomaria o poder? Viria à força ao invés do diálogo?

O esgotamento do sistema político brasileiro e a fragilidade dos partidos são marcas fortes desse quadro, o que leva a crise de representação, lideranças e instituições, faz com que se torne necessário e urgente uma reforma Política.     

É necessária uma reforma ampla e radical, feita através de uma Constituinte Exclusiva, com pessoas comprometidas com a mudança. Não se muda o jogo, se as regras não forem mudadas, e não se muda as regras se elas forem feitas pelos jogadores que estão jogando a muito tempo e que não tem espírito de equipe e são individualistas. Uma reforma que democratize e que construa um novo sistema eleitoral, que diminua a distância entre o eleitor e o eleito.

Que se toque no cerne e na origem de toda a corrupção, que é o financiamento das campanhas eleitorais, hoje vemos campanhas milionárias, a troco de que? Os empresários doam por ideologia? Por acreditar num programa de governo? Qual o  comprometimento desses parlamentares no enfrentamento de debates e votações que vão de encontro aos interesses de grupos econômicos que financiaram a sua campanha?

Além da influência exagerada do poder econômico, também é urgente que se discuta o papel dos partidos políticos e o seu enfraquecimento, o que vemos é uma série de partidos de aluguel, que não tem representatividade nenhuma e que servem única e simplesmente aos grandes grupos políticos, bem como as coligações oportunistas, programas são jogados no lixo em nome do pragmatismo eleitoral momentâneo.

Não tenho dúvidas que só conseguiremos avançar se tivermos muita pressão popular, o povo mobilizado como vem acontecendo desde julho de 2013, pode conseguir muitas coisas, pois então, que lutemos por uma reforma que é a mais importante de todas.

O caminho é longo e difícil, mas é preciso defender a política, e resgatar a arte e a beleza de se fazer política, a política como “A arte de viabilizar sonhos” como diz o Pinho, mas um sonho que caiba todo mundo, não um sonho que só esteja eu e a minha família; o sonho de transformação da sociedade, o sonho da redução das desigualdades, o sonho de uma vida melhor, para todos e todas.

*Carlos Ramos é especialista em Gestão e Políticas Publicas pela FESPSP e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores de Botucatu

**Os artigos assinados por colunistas não traduzem necessariamente a opinião do Notícias.Botucatu.

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