Candidatos a Prefeito de Botucatu fazem propostas e provocações em primeiro Debate

Nem mesmo o clima frio e chuvoso impediu o embate entre os cinco postulantes ao cargo de prefeito municipal

por Sérgio Viana

Os candidatos à Prefeitura de Botucatu e suas equipes acordaram cedo neste sábado, 20, para participar do primeiro Debate do período eleitoral 2016. O encontro, promovido pelo site Acontece Botucatu e a Rádio Criativa FM, no Teatro Gino Carbonari reuniu Reinaldinho (PR), Daniel de Carvalho (PSOL), Mário Pardini (PSDB), Mário Ielo (PDT) e Erick Facioli (PT) que participaram de três blocos de perguntas e respostas sobre temas como: Geração de Emprego e Renda, Políticas de Inclusão, Educação, Mobilidade Urbana, Saúde e Habitação.

Os diálogos mais acalorados aconteceram entre Pardini e Ielo. Ao se confrontarem com perguntas e respostas, ambos pediram direitos de resposta por sentirem-se pessoalmente ofendidos, mas tiveram os pedidos indeferidos. Erick Facioli reforçou em todas as oportunidades que a administração da cidade, entre 2000 e 2008, foi do Partido dos Trabalhadores e não apenas do seu ex-correligionário, Ielo. Já Reinaldinho nos momentos de respostas e réplicas que teve, dedicou-se prioritariamente a listar as propostas de seu plano de governo. O publicitário Daniel de Carvalho, do PSOL, foi evitado nos blocos em que os participantes podiam escolher a quem fariam perguntas.

Primeiro Bloco: candidatos se questionam

No primeiro bloco, o candidato que faria a pergunta, o que responderia e o tema foram definidos por sorteio. Pardini questionou Ielo a respeito do tema Geração de Emprego e suas propostas, mas iniciou citando matérias veiculadas em 2008 (último ano da gestão petista), no jornal Diário da Serra, em que Botucatu figurava como cidade com alto nível de desemprego e a saída de algumas empresas sediadas no município, como a confecção Irbex, que foi para Macatuba.

Ielo rebateu afirmando que “o candidato está mal assessorado”, pois as informações não condizem e a empresa teria saído de Botucatu ainda na gestão tucana de Pedro Losi Neto, personagem que ele tentou carimbar em Mário Pardini no decorrer do evento. O ex-prefeito ainda aproveitou para criticar a falta de um novo distrito industrial em Botucatu e a atração de novas indústrias.

Em seguida, Ielo foi sorteado para perguntar e Reinaldinho para responder sobre o tema Mobilidade Urbana. O candidato do PDT levantou o tema de criação de novos acessos entre bairros, criticando o atual Prefeito João Cury (PSDB) ao não tê-las realizado em sua gestão ou sequer incluído em seu plano de governo para a reeleição (em 2012). O vereador do PR aproveitou para salientar que, para obras como essa, “é preciso vontade política” e enalteceu o deputado federal de seu partido, Milton Monti, que teria conseguido verba para a construção de uma passagem entre os setores norte e leste de Botucatu, mas a mesma estaria barrada desde o final de 2015 pelo Governo Federal, devido ao momento do país.

O terceiro tema sorteado foi Habitação, com Daniel de Carvalho (PSOL) questionando Mário Pardini (PSDB), sobre o que fazer em relação a cerca de 6 mil famílias que precisam de moradias na cidade atualmente e outras 14 mil pessoas que pagariam aluguel. Pardini rememorou as unidades habitacionais conseguidas pela atual gestão tucana, através do financiamento da Caixa Econômica Federal e o programa Minha Casa, Minha Vida (Federal, instituída no governo do PT) e que continuaria com tal esforço para construir 1,5 casas por dia em seu possível mandato. Na réplica, o publicitário de esquerda afirmou que o direito a moradia também trata-se de um direito humano, preocupação de seu partido, e citou ideias como o IPTU progressivo, que cobra mais a cada ano dos proprietários que não se utilizem ou abandonem terrenos e imóveis, além de ressaltar a condição de abrigar as famílias que ainda não têm casa com moradias mais próximas ao centro de Botucatu.

Sobre Políticas de Inclusão, Reinaldinho questionou o jornalista Erick Facioli. O petista reforçou duas bandeiras que tem utilizado desde suas pré-campanhas: a implantação do passe-livre – transporte coletivo gratuito – e da Internet Livre em todos os bairros. Além disso, ele destacou a proposta de instituir coordenadorias municipais sobre áreas como Direitos da Mulher, Igualdade Racial e outras. Reinaldinho aproveitou seu tempo de réplica para também expor propostas, como a criação de centros de acolhimento, uma para pessoas com necessidades especiais e outro para cidadãos que enfrentam problemas com drogas.

Encerrando o bloco, o petista questionou Daniel de Carvalho sobre o tema políticas sociais e indagou sua opinião a respeito do programa Bolsa-Família, ampliados nos Governos Lula e Dilma, que atende milhões de pessoas com baixa ou nenhuma renda. O candidato do PSOL não amoleceu, aproveitou para destacar a preocupação de seu partido com políticas sociais mais poderosas e permanentes e o fato de diversos dos membros fundadores terem sido expulsos do PT por lutarem por ações mais eficazes e mais políticas de inclusão social.

Análise – Opinião do Notícias

Reinaldinho (PR) aproveitou bem suas respostas para destacar aquilo que ele e seu vice, Lelo Pagani (Rede), anotaram como propostas de plano de governo. Em alguns momentos, principalmente no inicio, deixou o tempo que tinha para suas falas sobrar alguns segundos, o que para o público que assistia no Teatro Gino Carbonari e aos ouvintes, pode ter causado certa estranheza. Em tom de crítica, Reinaldinho foi questionado pelo concorrente Daniel de Carvalho a respeito dos 16 anos em que já atua como vereador (4 mandatos) e o que teria apontado como política pública neste período, a resposta se resumiu a falar de propostas de acessibilidade de seu plano de governo. Em alguns momentos em que o Republicano pode debater com Ielo, houve concentração de críticas e indiretas ao candidato tucano, Mário Pardini.

Daniel de Carvalho (PSOL) mostrou-se consciente e pronto ao embate desde o inicio do Debate. No entanto, sua presença foi minimizada pelos demais ao não ser escolhido para responder perguntas nos blocos 2 e 3. Suas falas se concentraram em críticas à falta de participação popular em decisões dos poderes Executivo e Legislativo e na manutenção da ‘velha política’, baseada em ‘acordões’ entre partidos ou em núcleo reduzido que tem acesso ao poder local.

Erick Facioli (PT), apesar de representar um partido que passa por período de alta rejeição, descrença e ser considerado um candidato com poucas chances, mostrou-se confiante e preparado para o debate desde seu início, com nenhuma tentativa de ataque ou críticas pessoais. O candidato soube, nas oportunidades que teve, dividir bem seu tempo para não fugir às perguntas de seus oponentes e ainda falar de propostas e de sua vice, a pediatra Cátia Fonseca.

Mário Pardini (PSDB) mostrou-se um pouco nervoso no início e afoito com uma grande pasta recheada de documentos sobre os temas que poderiam ser sorteados. Iniciou o debate questionando Mário Ielo, devido ao sorteio, e mostrou que as falas mais intensas seriam protagonizadas pelos dois, apesar de também receber ataques de outros candidatos. Do começo ao encerramento, o tucano mostrou alguma evolução, mas para os próximos embates ele a equipe podem mudar de estratégia.

Mário Ielo (PDT) passava uma imagem de confiança e tranquilidade de quem já disputa sua quinta eleição para Prefeito de Botucatu, mas também se mostrou o mais agressivo, em alguns momentos em que, ao invés de falar de propostas, aproveitava para tecer críticas e provocações a Mário Pardini. Alguns recursos utilizados pelo pedetista foram relembrar e comparar diversas vezes o novo candidato tucano com o ex-prefeito Pedro Losi Neto e afirmar que o mesmo seria “recém-chegado” à Botucatu. O candidato também mostrou predileção em escolher o ex-correligionário, Erick Facioli, para responder às suas questões nos segundo e terceiro blocos.

Notícias.Botucatu promoveu entrevista com os candidatos

Antes do primeiro debate oficial entre os candidatos a prefeito de Botucatu, o Notícias.Botucatu, de forma democrática, promoveu série de entrevistas com os postulantes ao Executivo local. Os questionamentos iam além das propostas de governo, contextualizando fatos da política nacional e seus impactos no município. A exceção fica por conta do PSOL, que mudou seu quadro ao majoritário nas últimas semanas. O então candidato, Gustavo Bilo, havia sido o entrevistado.

Confira as entrevistas:

Erick Facioli: “Mas pelo PT?”, essa é a pergunta que eu mais ouço de pessoas e amigos”

Mário Ielo: “Infelizmente, vejo a possibilidade de nós estarmos voltando ao passado”

Reinaldinho: “Nós temos um mapa dos maiores problemas e anseios da nossa sociedade”

Mário Pardini: “Eu creio que o melhor projeto é o projeto de continuidade deste governo”

Gustavo Bilo: “A gente tem que trazer as pessoas para a discussão política”

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