Por que pelo PT?

Vou tentar resumir neste reduzido espaço as nossas motivações. Um partido se mede pelo cumprimento de diretrizes.

por Valdemar Pereira de Pinho

Durante a campanha eleitoral eu e os demais candidatos do PT fomos questionados por vários eleitores: “Gosto das propostas e da forma como vocês as defendem. Mas, pelo PT? Por que vocês não saíram por outro partido?” As respostas de todos foram, fundamentalmente, as mesmas. Vou tentar resumir neste reduzido espaço as nossas motivações. Um partido se mede pelo cumprimento de diretrizes. 

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Democracia e Participação Popular: O PT é o Partido internamente mais democrático do país. No seu Estatuto está explicitada a forma de participação de todos os filiados na eleição das direções através de voto direto. As direções são compostas proporcionalmente à votação das várias chapas concorrentes. Os Congressos e Encontros decidem as diretrizes políticas, e começam nos municípios (nas sub-regiões nos grandes municípios) com a participação direta de todos os filiados. Coerentemente com a lógica interna, o PT defende uma sociedade amplamente democrática, com a participação de todas as correntes de pensamento e respeito ao resultado das eleições. Sempre que governou, seja nos municípios, nos Estados ou na União, criou mecanismos de participação da sociedade nos governos, com Orçamento Participativo deliberativo no nível municipal e estímulo aos Conselhos e Conferências desde o município até o nível federal. E sempre foi republicano no tratamento com administrações de outros partidos, coisa que não se vê quando a relação é inversa.

Compromisso Político: O princípio de governar para todos com prioridade aos que mais necessitam foi seguido por todos os governos petistas. A redução das desigualdades sociais existentes há séculos, com políticas de inclusão dos historicamente excluídos, foi tônica de todos os governos petistas. Os resultados dessas políticas tornaram o Brasil menos desigual, o que foi reconhecido por órgãos internacionais como a ONU, OMS etc. Isso não é pouco.

Soberania Nacional: A defesa dos interesses nacionais em relação às empresas multinacionais e aos países hegemônicos, com alianças com países emergentes, tornou o Brasil protagonista em relação às potências econômicas, sem rompimento das relações bilaterais. A política do governo Temerário de entrega do pré-sal às multinacionais e o abandono do MERCOSUL e dos BRICS acaba com o protagonismo brasileiro no mundo, com sérias conseqüências para as futuras gerações.

Poderia analisar várias outras questões importantes sobre avanços nos nossos governos, e também sobre erros cometidos, mas o espaço limitado não permite.

E, finalmente a questão mais falada na mídia e nas rodas de conversa, a “corrupção do PT”. No início acreditei que a Lava Jato cumpriria o papel de apurar a corrupção, que sempre houve no país e nunca foi investigada. Aliás, a não interferência nas investigações, e as leis aprovadas nos governos petistas, é que permitiram as investigações. Mas, quando a Lava Jato, associada à mídia hegemônica, se transformou em instrumento partidário para o golpe e a destruição do PT, percebi que a lógica era criminalizar o PT, sem provas, mas com convicções. A nossa posição é que todas as acusações de corrupção sejam investigadas, e PROVADAS, e os culpados, TODOS, punidos de acordo com a lei. Governamos Botucatu por oito anos e não houve uma acusação sequer de superfaturamento, ou favorecimento a doadores de campanha em contratos e concorrências, ou qualquer outra forma de corrupção. “Ah, mas não voto em vocês pela corrupção do PT nacional”, disseram muitos. E votam no PSDB que tem Aécio, FHC, Alkmin, Serra e vários outros acusados de corrupção?? E no PMDB de Temer, Renan, Jucá, Cunha e muitos outros??

Por qual partido sair? Na verdade, vivemos o Festival Nacional de Hipocrisia.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Deixe uma resposta