Em Botucatu, candidatos arrecadaram mais de R$ 520 mil; média de custo de R$ 5 por voto

Mesmo proibido por lei, empresários doam como pessoa física a candidatos às eleições municipais de 2016

por Flávio Fogueral

Os cinco candidatos a prefeito de Botucatu investiram, juntos, R$ 521.314,71, na campanha de 2016. Este é o valor repassado à Justiça Eleitoral após o prazo para que as coligações e partidos apresentassem seus balancetes financeiros, que incluíram doações e gastos com campanha. Levando em conta os 98.130 eleitores de Botucatu, cada voto custou em média R$ 5,31 (o valor muda conforme o gasto de cada postulante ao Executivo).

Ao contrário de eleições passadas, o pleito deste ano apresentou mudanças significativas. A principal delas foi a proibição de doação financeira por empresas ou pessoas jurídicas. Outra, o tempo menor de campanha que, de 90 passou a ser de 45 dias. Houve também limitações quanto à publicidade dos candidatos, com regras que foram desde tamanho de placas e uso de veículos de comunicação.

A relação a seguir acompanha a quantidade de doações recebidas e não a relação de votos obtidos.

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mariopardiniMário Pardini (PSDB)- R$ 306 mil em doações

A maior coligação – com dezoito partidos -, do prefeito eleito Mário Pardini (PSDB) é a que concentra maior volume de doações, sendo R$ 306.130,00. Obteve 39.045 dos votos válidos. Ou seja, houve custo de R$ 7,84 para cada voto conquistado. Os maiores doadores foram o próprio Diretório do PSDB, com R$ 41.000, Marcelo Carbonari (R$ 25.000), Odilon Castriota Filho (R$ 20.000), Donizete Aparecido Manzini (R$ 18.800) e o prefeito João Cury Neto (R$ 18.100).

Os maiores gastos declarados à Justiça Eleitoral centraram em despesas com pessoal (R$ 98.154,18), diversas a especificar (R$ 42.976), atividades de militância e mobilização de rua (R$ 39.837), publicidade por materiais impressos (R$ 32.240) e cessão ou locação de veículos (R$ 31.150).

Além disso, Pardini apresentou R$ 408.909,37 o valor de bens declarados à Justiça Eleitoral, entre apartamento, veículo e aplicações financeiras. O relatório completo pode ser obtido aqui.

reinaldinhoReinaldinho (PR)- R$ 110.639 em doações

O atual vereador Reinaldo Mendonça Moreira (PR), lançou-se em 2016, ao seu maior desafio na política. No entanto, foi terceiro colocado no pleito ao lado de Lelo Pagani (REDE), obtendo 4.099 dos votos válidos. Mesmo assim, foi o candidato com a segunda maior arrecadação, obtendo R$ 110.639,57. Isso equivale a R$ 26,99 por voto conquistado, o maior entre os candidatos.

As maiores doações vieram do próprio Reinaldinho (R$ 57.371,57), passando pelo PR (R$42.000,00) e a Comissão Municipal Provisória do PR em Botucatu (R$5.218,00). Os maiores gastos referiram-se a publicidade por materiais impressos (R$ 34.515,00), serviços terceirizados (R$ 24.960,00), publicidade por carros de som (R$ 16.000,00), cessão ou locação de veículos (R$ 6.000,00). Reinaldinho declarou, ainda, R$ 792.789,90 em patrimônio pessoal entre imóveis, veículos e aplicações financeiras. Toda a relação de doações e gastos de campanha de Reinaldinho pode ser acessada aqui.

marioieloMário Ielo (PDT)- R$ 72.895 em doações

Segundo colocado nas eleições de 2016, o ex-prefeito Mário Ielo (PDT), recebeu R$ 72.895,19 em doações. Nas urnas, seu desempenho garantiu 21.663 votos. Isso representa que cada eleitor de Ielo custou R$ 3,36 para sua campanha.

Os maiores doadores, segundo a Justiça Eleitoral, foram Felizarda Leme Ferreira Ielo (R$ 30 mil), Germano Francisco Biondi (R$ 15 mil) e Maria Fernanda Ielo Biondi (R$ 5 mil). Na prestação de contas, Ielo ainda declarou ter R$ 220.040 em bens, entre imóveis e veículos.

Entre as maiores despesas, estavam publicidade por material impresso (R$16.969,00), despesas com pessoal (R$4.730,00), publicidade por carro de som (R$2.696,40) e despesas diversas, a especificar (R$34.620,00). Toda a relação de doações e gastos do candidato pode ser acessada aqui.

erickfacioliÉrick Facioli (PT)- R$ 20 mil em doações

Afetado diretamente pelos escândalos da Lava-Jato e o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores sentiu o impacto nas urnas botucatuenses. Seu candidato, o jornalista e professor universitário, Érick Facioli, obteve 1.495 votos, uma das menores votações da legenda na história política local. A crise partidária também afetou a arrecadação para a campanha deste ano: R$ 20.499,90. Representa média de R$ 13,71 por voto conquistado.

As maiores doações foram do Diretório Municipal do PT (R$ 12.999,90), Francisco Maffei (R$ 1.500,00) e Helga Maffei (R$ 1.500,00). Já as maiores despesas na campanha foram com cessão ou locação de veículo (R$5.000,00), publicidade por materiais impressos (R$3.372,00), serviços terceirizados (R$1.300,00) e publicidade por carro de som (R$1.050,00). A declaração de bens de Facioli foi de R$ 340 mil entre imóvel e veículo. Toda a relação da campanha de Érick Facioli pode ser acessada aqui.

danielcarvalhoDaniel de Carvalho (PSOL)- R$ 4.150 em doações

O candidato do PSOL, o publicitário Daniel de Carvalho, arrecadou R$ 4.150 em doações para sua campanha. Com 786 votos nas eleições deste ano, seu custo por pessoa foi de R$ 5,27. As maiores receitas vieram de Rodrigo Carvalho (R$ 2.000,00), do próprio Daniel de Carvalho (R$ 1.150,00) e de seu candidato a vice, Gustavo Henrique Passerino Alves (Gustavo Bilo, com R$ 1 mil).

Os maiores gastos do candidato foram com correspondências e despesas postais (R$993,65), publicidade por adesivos (R$941,94), publicidade por materiais impressos (R$849,00), cessão ou locação de veículos (R$300,00) e combustíveis (R$100,01). Além disso, Daniel de Carvalho declarou R$ 21.446 em bens, tendo dois veículos sob sua propriedade. A relação de arrecadação e despesas do PSOL pode ser acessada aqui.

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