Cortes no Orçamento e verbas publicitárias

Mesmo com a maior crise fiscal dos últimos anos o aumento com publicidade nos oito meses de 2016 chega a quase 50% a mais que o gasto em todo o ano de 2015

por Valdemar Pereira de Pinho*

“O PT busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.” A frase acima é da VEJA em 2014 e não aconteceu. Nos governos Lula e Dilma as verbas publicitárias eram distribuídas a todos os meios de comunicação, proporcionalmente à sua penetração. Assim, as verbas serviram para financiar todos os meios de comunicação, inclusive aqueles que lhe fazia oposição. Em pleno andamento do golpe, com o envolvimento descarado da “grande mídia” na manipulação das informações, o governo não discriminou nas verbas publicitárias. Era a “conduta republicana”. 

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Consumado o golpe o governo Temer tomou duas decisões: corte das verbas publicitárias para “revistas, sites e blogs pró-governo de Dilma Rousseff e pró-PT”; aumento nos repasses para os órgãos da “grande imprensa” e sites pró-governo. No primeiro caso, 13 sites e blogs “de esquerda” (Brasil 247, Carta Maior, Conversa Afiada, Diário do Centro do Mundo, Site Jornal GGN (Blog do Luís Nassif), Portal Fórum, Opera Mundi, Brasil Econômico, O Cafezinho, Portal Fórum, Sidney Rezende, Viomundo e Brasil de Fato) passaram a não receber repasses a partir de junho de 2016. Outros blogs e sites de difícil classificação como pró-PT, como os sites “Congresso em Foco” e “Observatório da Imprensa”, também foram incluídos nos cortes. Enquanto isso, sites e blogs “de direita” tiveram suas verbas publicitárias aumentadas, como no caso do Yahoo!, que emprega blogueiros de ultra-direita, como Claudio Tognoli, recebendo um aumento médio mensal de quase 90% em relação a 2015.

Mesmo com a maior crise fiscal dos últimos anos o aumento com publicidade nos oito meses de 2016 chega a quase 50% a mais que o gasto em todo o ano de 2015. Apesar da grave crise fiscal, da recessão, da campanha da mídia para o governo cortar gastos, o volume de recursos publicitários pagos nos últimos meses já é quase 50% maior que o registrado em 2015.

“Ao mesmo tempo em que a arrecadação fiscal do governo sofre uma das maiores quedas em décadas, os repasses federais para a Editora Globo, da revista Época, dispararam 586%, na comparação de janeiro/agosto de 2016 com o ano inteiro de 2015.
Na média mensal, o crescimento foi de mais de 900%. Os repasses ao Infoglobo, responsável pelo jornal O Globo, cresceram 120% este ano; na média mensal, o crescimento foi de 230%. A editora Caras, uma espécie de laranja da Abril, recebeu R$ 1,55 milhão da Secom nos oito primeiros meses de 2016, um crescimento de 2.473% sobre o ano inteiro de 2015. Os repasses para a Abril também cresceram vertiginosamente nos últimos meses, com sua média mensal disparando quase 50%. Os recursos apenas para a Folha (sem contar o UOL) cresceram 20% este ano, na comparação de jan/ago de 2016 com todo o ano de 2015. Na média mensal, o aumento foi de 80%. Somando Folha e UOL, a média mensal dos repasses federais cresceu 41% este ano. Há mais dados que, infelizmente, não cabem aqui.

E a PEC 241/55 congela verbas para Saúde, Educação e programas sociais, apoiada pelos que receberam esses aumentos. E “Megapacote de aumento para juízes,deputados, senadores, Ministros e MP vai custar 58 bilhões de reais pro povo” . É mais um capítulo do Festival Nacional de Hipocrisia sucesso de crítica e público.

* Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Deixe uma resposta