Semelhanças entre 1964 e 2016

No mesmo período em que se deu o golpe de 64 no Brasil, muitos outros golpes com as mesmas características ocorreram

por Valdemar Pereira de Pinho* 

Em artigo de 13/12/2016 Jeferson Miola, analisando as semelhanças entre o golpe civil/militar de 64 e o atual, afirma que “Os métodos para a perpetração dos golpes de Estado de 1964 e de 2016 foram diferentes: em 1964, quartelada, tanques de guerra e fuzis; em 2016, STF, PF, MP, mídia, Lava Jato e Congresso – o golpe jurídico-midiático-parlamentar.” Fora isso, quanta semelhança. “O fascismo, por exemplo, é um componente presente nos dois processos. A corrupção é pretexto falso para destruir Lula” e outras personalidades políticas, como em 64 “foi um pretexto da oligarquia canalha para incendiar o ambiente político e interromper o programa de reformas populares do governo Jango. A burguesia é atavicamente golpista; conspira sempre que sente seus interesses ameaçados. Tal como em 1964, desencadeou o golpe com o impeachment fraudulento, para interromper a distribuição de renda e salvaguardar privilégios e a taxa de expansão do capital.” 

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

O filme “O Dia que Durou 21 anos”, baseado em documentos sigilosos de arquivos norte-americanos e áudios originais da Casa Branca, revela como os Estados Unidos colaboraram com ações de desestabilização para o golpe militar de 64. Cita a criação e o financiamento de organizações como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), que receberam milhões de dólares da CIA e de entidades empresariais brasileiras, como FIESP e várias empresas. Seu papel era financiar todos os grupos de comunicação do País (com a exceção da nacionalista Última Hora) para veicular os mais baixos ataques contra Jango, criando clima social que propiciasse sua deposição. Também bancaram campanhas de 250 candidatos a deputado, oito a governador e 600 a deputado estadual no país. O coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh, confirma essas ações. Os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e documentos do Arquivo Público de São Paulo também confirmaram isso. A tática para aliciar e treinar os militares golpistas eram cursos e intercâmbios para militares golpistas nos EUA, os mais famosos na Academia Militar de West Point.

No mesmo período em que se deu o golpe de 64 no Brasil, muitos outros golpes com as mesmas características ocorreram, principalmente na América Latina. Agora golpes com as mesmas características do nosso ocorreram em Honduras e Paraguai.

Desde a Presidência de Lula os avanços na redução da pobreza e da miséria são reconhecidos por vários órgãos internacionais isentos, como a ONU. O Brasil passou de subalterno a protagonista internacional, fortalecendo o Mercosul, participando dos BRICS, sendo protagonista do G20, fazendo parcerias multilaterais com países europeus, asiáticos, africanos, do Oriente Médio e da América Latina, liderando resistências à hegemonia estadunidense. Com o fortalecimento das pesquisas da Petrobrás foi descoberto o pré-sal, tornando o país auto-suficiente e exportador em médio prazo. Então, a NSA espionou a Petrobrás, o governo e o Congresso brasileiros. Os Procuradores e juízes brasileiros incrementaram intercâmbios e treinamentos nos EEUU, incluindo o Procurador Geral da República e o juiz da Lava Jato, onde receberam as informações da NSA. Nesse período foram criados alguns Institutos e organizações “anti PT”. Como são financiados é segredo. A mídia passou a fustigar o governo e o PT com notícias manipuladas e mentiras difíceis de desmentir pelo quase monopólio dos meios de comunicação a serviço da oposição. As primeiras medidas do governo golpista foram de alinhamento automático com a diplomacia americana, afastamento de Mercosul e BRICS, entrega do pré-sal, garantia de livre trânsito para o capital internacional na economia, congelamento de recursos para a área social, mas não do superávit primário, criminalização e repressão a protestos… Mas, claro, são só coincidências…

* Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

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