Cuesta Basáltica Botucatuense: sua vocação para o Turismo Ecológico, Rural e Cultural

Precisamos reconhecer e assumir nossas responsabilidades e, tomar assim, as rédeas de nosso futuro.

por Patrícia Shimabuku*

Vivenciando a “Era das incertezas” do exercício político, democrático e econômico associando a “Era da certeza” da degradação ambiental sem precedentes, com o uso irresponsável dos finitos recursos naturais, torna se mais importante do que nunca, um olhar sustentável para o segmento do Turismo Ecológico – Rural – Cultural (TERC).

Nossa Cuesta Basáltica é magnífica e imponente em inúmeros aspectos. É um patrimônio geológico natural repleto de belezas paisagísticas e cênicas (cachoeiras e mirantes).   É área de recarga das águas do mais importante manancial subterrâneo, o Sistema Aquífero Guarani. Contempla na cabeceira do Alto Capivara, a Unidade de Conservação Parque Natural da Cachoeira da Marta, e também, a APA (Área de Preservação Ambiental) Corumbataí Botucatu Tejupá. Ainda pouco, porém, representativamente, é servida por inúmeras propriedades rurais com atrativos gastronômicos, recreativos e históricos. A Cuesta é a rota de inúmeras práticas esportivas (locais, regionais e nacionais) e de passeios aos finais de semana e feriados. Cuesta, que também guarda, dois especiais e nostálgicos túneis da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, raridades da Engenharia Paulista.

Das linhas acima, concluímos que não podemos ser amadores e irresponsáveis. O TERC será a garantia da preservação, conservação e uso sustentável do meio ambiente, gerando renda e emprego para o desenvolvimento qualitativo do município. Desta maneira, é imprescindível existir um diálogo e projetos executáveis a curto/médio/longo prazo junto a Gestão Municipal, Empresários, Sociedade Civil Organizada (urbana e rural), Órgãos reguladores, ONGs, Conselhos Municipais e Entidades Acadêmicas de diversos segmentos.

Precisamos reconhecer e assumir nossas responsabilidades e, tomar assim, as rédeas de nosso futuro.

Precisamos em caráter de urgência desfazer as amarras com a questão do controle ambiental. SE VOCÊ AINDA ACREDITA NESTE CONCEITO, DE QUE O CONTROLE AMBIENTAL É UMA BARREIRA PARA O DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO DA SOCIEDADE, VOCÊ NÃO ENTENDE NADA DE MEIO AMBIENTE E TÃO POUCO DE NEGÓCIOS, e não conhece as realidades, particularidades e potencialidades locais, regionais e globais. Outro entendimento errôneo, é sobre o segmento turístico. A gestão municipal não pode colocá-lo como um item supérfluo no planejamento e execução do plano de governo, uma vez que Botucatu tem no turismo, o seu principal potencial econômico de desenvolvimento qualitativo. No entanto, incentivos e parcerias financeiras bem como capacitação técnica deverão ser ofertados.

Conseguindo olhar, raciocinar e planejar as potencialidades, atributos e a vocação que o nosso munícipio possui para o segmento TERC, a cidade de Botucatu estará em curto prazo, nos principais roteiros turísticos regionais, estaduais, nacionais e, médio-longo nos roteiros internacionais. Entretanto, precisamos, obrigatoriamente, ser responsáveis, organizados e sustentáveis, deixando a postura de inconsequentes, amadores, oportunistas, exploradores e “cegos” para as oportunidades econômicas e de desenvolvimento social que o TERC poderá oferecer.

Uma política de turismo visionária “é mais do que nunca” imprescindível. Precisamos criar instrumentos normativos e regulatórios de acordo com a realidade ambiental local associados as práticas esportivas, turísticas e comercias da vocação/potencialidade/fragilidade local. Precisamos “fazer valer” e respeitar os instrumentos legais existentes.

Um dos problemas é a expansão urbana não ordenada. O macrozoneamento, plano diretor e as ferramentas para o melhor aproveitamento do espaço territorial urbano (público e privado) deverão ser revistos e seus devidos ajustes deverão serão aplicados. No entanto, sempre junto e com a participação da sociedade civil organizada. A ocupação urbana e sua expansão deverão ser planejadas considerando os aspectos sociais, ambientais, econômicos, caso a gestão municipal tenha como premissa o desenvolvimento sustentável e ambientalmente responsável.

Por fim, quais as dificuldades e barreiras que entravam o desenvolvimento Turístico Ecológico – Rural – Cultural de Botucatu? SERÁ A FALTA DE UM PLANO DIRETOR DE TURISMO? Porque não realizamos os trâmites necessários para a obtenção do Selo MIT (Município com Interesse Turístico)? Quais as dificuldades para a elaboração de um inventário turístico municipal? Porque realizamos de forma amadora, irresponsável e com postura de explorador medieval as atividades em nosso município? ABRAMOS OS OLHOS PARA AS OPORTUNIDADES  ECONÔMICAS E COMERCIAIS sustentáveis  QUE ESTAMOS IGNORANDO. 

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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