28 de abril, Dia do “ex-trabalhador”

Na onda da cultura empreendedora, vivemos tempos sem debate sobre a estrutura social e trabalhista que rege as comunidades

por Daniel de Carvalho

Marcio, Marcia, Mario, Maria, Marcelo, Marcela. Várias semelhanças os une e poucas diferenças os separa, mas hoje é clara a maior diferença que é imposta na propaganda do ritmo de trabalho e sucesso que a modernidade dos mercados rotula: “não tem sucesso quem não empreende, quem não se esforça”. Acabou-se a época da valorização do trabalho – em meio à crise, cale a boca e trabalhe.

Daniel de Carvalho é publicitário

Daniel de Carvalho é publicitário

Na onda da cultura empreendedora, vivemos tempos sem debate sobre a estrutura social e trabalhista que rege as comunidades e toda sociedade, vemos que a descrença na luta sindical tomou ares dogmáticos que impõe goela abaixo a doutrina dos 10% que regem econômica e politicamente a sociedade: “no mercado neoliberal, todos temos oportunidade de ascensão e, com a meritocracia, os mais esforçados e comprometidos com o sucesso conquistarão seu lugar ao sol.” Está batido até a escassez a máxima do “seja seu próprio patrão” ou siga sendo colaborador – não mais funcionário ou trabalhador, mas “colaborador” pois, mais uma vez, “todos tem a abertura e possibilidade de um dia se tornarem sócios ou associados da empresa em que trabalham”.

Seria verdade e, de Marcio a Marcela, Maria a Marcelo, todos poderiam sim ter valorizadas suas horas de trabalho se Karl Marx fosse debatido entre os colegas na luta por respeito e dignidade a todos, iguais e igualmente essenciais para o avanço da sociedade em equilíbrio, seja os 5 mil funcionários ou 5 conselheiros da empresa, e se Paulo Freire fosse analisado na essência de seus postulados onde, sem educação, o cidadão que ascendesse na verdade seria um usuário da doutrina opressora de mercantilização dos que estão abaixo para concentrar em si o lucro e as glórias do sucesso que conquistou.

No neoliberalismo, seja entreguista como o mercado brasileiro ou protecionista à americana ou chinesa, ignora-se a base e essência que faz a roda girar: mulheres negras ganham até 70% menos do que homens brancos na mesma função – em Botucatu; metade do produto interno bruto brasileiro é utilizado para pagar a dívida pública federal para os homens brancos – bancários e acionistas – e a educação – reflexão, debate e análise – para a estruturação da vida do indivíduo e da comunidade, vem sendo potencializada e cortada para que os estudantes de escolas públicas sejam, obrigatoriamente, tecnólogos a preencher as vagas na indústria, enquanto os estudantes das particulares se capacitam com grade escolar completa para vestibulares e vagas nas universidades públicas no caminho das mesas diretoras das coberturas executivas.

Nesta sexta-feira, dia 28, o Brasil se mobilizará por uma #GreveGeral que visa, primeiramente, garantir a segurança da CLT para manutenção da dignidade de todo trabalhador, e assegurar a previdência social a todos que trabalhem. Nenhuma mudança desta importância será imposta sem diálogo entre todos. Será o dia dos “ex-trabalhadores” mostrarem tanto aos políticos lobbystas dos empresários que sustentaram suas campanhas quanto para os industriais que iludem com o injusto livre mercado: somos Trabalhadores, orgulhosos de nosso trabalho e base que sustenta os privilégios e autoritarismos impostos pelos governos e economias liberais. Somos Trabalhadores e lutamos por nós, nossos filhos e nossa cultura que precisa ser respeitada. Seguiremos juntos e cruzaremos os braços nessa sexta. Saiba mais em nossa página do facebook @Psol.Botucatu.

Marcio, Marcia, Mario, Maria, Marcelo, Marcela.
Trabalhadores e Trabalhadoras de Botucatu.

Daniel de Carvalho é publicitário, Conselheiro Municipal de Cultura de Botucatu, Secretário de Comunicação do PSOL 50 Botucatu e estudante de direito.

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