OPINIÃO | Finalmente dirigindo por novos caminhos

A concorrência entre empresas, o neoliberalismo e a meritocracia que a direita prega, nunca existiram, as empresas nunca competiram entre si

por Daniel de Carvalho e Gustavo Costa*

Chega o inverno, como acontece todo ano e, assim como ainda há quem se surpreenda em fazer frio nesta época, também há quem seu surpreenda com a pobreza e a existência dos “Indesejáveis” – alcunha como a ciência política enxerga hoje em dia os pobres e miseráveis que o Sistema e os “Cidadãos de bem” têm que sustentar.

Nesta época moderna o que se prioriza na Constituição de vários países é a base social de sua democracia. Após as Guerras Mundiais e, principalmente, o absurdo nazi-fascismo que violentou o mundo, as nações focaram seus esforços em dirigir os países a um rumo de igualdade e avanço que garantisse a dignidade a todos e possibilidade de ser realmente livres e felizes, de amarem suas vidas e a de sua comunidade. No papel tudo funciona às mil maravilhas.

Hoje estamos em 2017, aniversário de 100 anos da Constituição Mexicana, fruto da luta Zapatista, onde se incluiu pela primeira vez na história os direitos sociais como garantia a todos – direito trabalhista (jornadas de 8h, direito a sindicato e à greve, salário mínimo), e previdência social para segurança do Cidadão, além da reforma agrária, não-reeleição e extinção do vice-presidente. Poderia mais uma vez analisar como é importante defender estas garantias no Brasil, negando as Reformas impostas em um dos países que mais fere e mata trabalhador no mundo, onde 23% da população não ganha 1 salário mínimo, 60% das terras brasileiras está nas mãos de 5% dos agricultores, e por aí seguir analisando esta concentração de renda e poder pela manutenção do sistema excludente da colônia escravagista brasileira, mas o foco de hoje é na importância do humanismo e defesa dos direitos democráticos a todos. Foquemos!

Na última terça-feira, dia 30 de junho, houve uma Reunião Aberta convocada por dois vereadores da oposição ao governo publicitário que temos hoje no município. O tema era o Transporte Coletivo, a licitação com as duas empresas e o futuro do transporte em Botucatu. Vendo que o foco principal do momento era os Usuários e representantes levantarem seus apontamentos, esclarecerem suas dúvidas e mobilizar os 11 Vereadores da casa pelo maior debate do único meio municipal de acesso à cidade, o ônibus público, aparentemente foi mais um dos momentos irrelevantes na história política botucatuense, mais um onde a população participou, mas estes eram claramente indesejáveis no local.

Aproximadamente 40 Usuários viram o que era claro para todos: apesar de termos o direito social ao transporte – ferramenta de acesso aos demais direitos e à cidade como um todo – e apesar de o transporte ser público, o transporte não é do povo. Toda informação referente ao sistema de mobilidade urbano está nas mãos e de conhecimento de poucos, necessitando à População que peça o favor de saber o que estaria acontecendo e o caminho que seria proposto e analisado, uma vez que uma semana antes, dia 22, já fizeram uma reunião entre vereadores e empresários e nenhum dado foi apresentado no momento.

A concorrência entre empresas, o neoliberalismo e a meritocracia que a direita prega, nunca existiram, as empresas nunca competiram entre si. A margem de lucro que as empresas levam às custas da cobrança pelo direito do cidadão nunca foi esclarecida, apesar de um 2016 onde diariamente se cobrava tal balanço, motivo principal da renúncia e abandono da antiga Comissão Municipal dos Transporte Coletivos – CMTC em dezembro de 2016 pois a falta de investimentos em melhoria era justificada no dito “prejuízo” das empresas nunca esclarecido, e a Secretaria de Transporte segue sem divulgar este balanço de equilíbrio econômico-financeiro solicitado já em março do ano passado. Mudanças de trajeto e revisão da viabilidade de linhas feitos na calculadora sem transparência ou inclusão da população no debate claro e limpo da melhor rota e horário para seu bairro e de sua família….

Hoje o Cidadão sabe de todas as perguntas que devem ser feitas, mas aparentemente o desgaste e desconfiança crescem na necessidade de ter que fazer sempre as mesmas perguntas. O transporte coletivo de Botucatu não é público, nunca foi. Pertence a um grupo de empresários que lucra com a licença para cobrar pelo direito do cidadão, e é administrada por outro grupo de funcionários públicos que evita expor seu dia a dia ou apresentar o balança ao proprietário de direito do transporte público de Botucatu, o Cidadão.

Há 100 anos as nações lutam pelo direito social no mundo, por comunidades e países iguais que busquem diariamente, constitucionalmente, por fazer da Democracia a máxima das cidades e construir Cidadãos fortes em Comunidade justas, mas o que se faz é o que está no papel e não no coração ou na necessidade do próximo, se obedece ao que vem escrito pelos políticos e lógica neoliberal que une os interesses públicos às necessidades privadas – dos empresários que sustentam o poder e os privilégios – e a luta por direitos e serviço público de qualidade hoje tem que se fortalecer como nos séculos passados onde foram necessários Zapata no México, Malcolm X nos EUA, Nwanyeruwa na Nigéria, Dessalines no Haiti, Robespiere na França, Orange na Holanda, Scholl na Alemanha, Zumbi e Dandara no Brasil. A inspiração e coragem para a mudança vem do povo, da rua, e das necessidades por melhorias, não das mesas dos coronéis e condes ou das negociatas a portas fechadas feitas por esta política sustentada pelas empresas e empresários. Todo poder vem do povo e é para o povo. Seguiremos juntos, todos!

Daniel de Carvalho. Publicitário, Estudante de Direito, membro da Comissão Municipal de Transporte Coletivo – CMTC, conselheiro do Conselho Municipal de Cultura – CMC, e Presidente do PSOL Botucatu.
Gustavo Costa. Especialista administrativo de mercado, membro da Comissão Municipal de Transporte Coletivo – CMTC e militante do PSOL Botucatu.

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