OPINIÃO | A incrível arte da transformista Pollyanna

Pollyanna hoje saiu do armário e vive não somente em Brasília mas em todo país e em cada coração frio e esnobe que a alimenta

por Daniel de Carvalho

Mais uma vez vivemos uma era onde todos os males do Brasil nascem de apenas uma das 5.570 cidades, Brasília. No centro do cerrado, da cidade planejada em forma de avião, futurista, nasce todos os males do país fruto da caixa de Pandora que virou a capital federal com denúncias e corrupção, histórias das mais cabeludas e desprovidas de imoralidade, ameaças de morte, compra e venda de princípios e moral que atinge a todos, sim, mas é mágico como hoje os que há alguns meses vociferavam o desemprego, abandono, aparelhamento e corrupção brasiliense com suas claras consequências em Botucatu e nas outras 5.568 cidades do Brasil hoje vestem o discurso de Pollyanna e, no pão e circo, só tem coisas boas além do “Detrito” Federal, o resto do “bom-Brasil” que vendem.

Personagem criada em 1913 na comédia de Eleanor H. Porter que leva seu nome – em português “Pollyana moça” – Pollyanna é uma menina de 11 anos órfã que, após a morte do pai, missionário, muda-se para morar com a tia rica e rígida onde ensina e vive o ‘jogo do contente’ que o pai lhe ensinara, buscando enxergar apenas o bom e positivo de tudo mesmo nas situações mais desagradáveis. História com raízes seculares pela evangelização cristã, no conto a autora navega por mares do amor e do bem em busca da felicidade para catequisar uma proposta hipotética que ficou marcada na psicologia como “Princípio de Pollyanna”, onde ignora-se que as pessoas vivem de sentimentos variados, parte de todos, e há a fuga da realidade para enxergar o mundo, situações e emoções de forma ingênua e inconsequente.

Daniel de Carvalho é publicitário

No Estado de São Paulo vivemos uma história política recente onde tucanos e cabides, pendurados nos mandatos publicitários que se seguem há décadas no maior ninho conservador do Brasil, foram às ruas transtornados espumando ira contra as amarras que, nesses palanques, nos aprisionavam nas denúncias de corrupção com consequências claras para nossa cidade. Prefeito e Vereadores, empresários, jornais e rádios arrastaram para as ruas uma massa guiada por seus discursos públicos nos canais de comunicação, nas tribunas da Câmara em toda sessão, no boca-a-boca no comércio e indústria, pé de ouvido nas escolas e creches, uma campanha incessante por eleições indiretas que mudassem o governo e empossassem o plano de governo derrotado nas últimas eleições com Aécio Neves. Os representantes do poder político e econômico – sabidos das “responsabilidades” que o dever subsidiário do cidadão cede nesta democracia falha que vivemos, onde alguns traçam o destino de todos – a aristocracia girondina, governa sem medir a consequência além dos jantares fartos e negociatas secretas que executam nos bastidores.

Por mais de década venderam a quatro cantos – com canais de comunicação tão aparelhados quanto o próprio governo que corta o que lhes convém e destina investimentos e poder no sentido que lhes é rentável, independente da orientação ou qualquer pesquisa. Vimos durante esta década de publicidade contra a igualdade, dita inviável e cara pelos que assim tem poder para fazê-lo, que a democracia e a inclusão real do cidadão nunca foram colocadas em prática. Todo governo que sempre houve nas terras tupiniquins sempre foi abastecido por dinheiro e interesses tramados em arranjos à sombra da democracia, e falta de transparência quanto a seus motivos e reais interesses. O lucro e a concentração de poder e renda se fizeram claro na última década que foi a que mais fez milionários e falsos líderes, hoje no poder aristocrático pelo próprio interesse, e assim defenderão seu futuro a todo custo.

Pollyanna hoje saiu do armário e vive não somente em Brasília mas em todo país e em cada coração frio e esnobe que a alimenta, e sustenta sua realidade paralela onde 210 milhões de brasileiros vivem no tempo de maior desemprego da história – com corte em direitos básicos como saúde, educação e habitação, desestruturação das conquistas e sonho do trabalhador por estabilidade e respeito na labuta, assim como garantias na aposentadoria ou no necessário afastamento – mas é imposto que estes sonhos são inviáveis e que o governo claramente corrupto é ainda “governável”. A inocência em acreditar que a vida de Pollyanna existe pois é dito da boca gorda e polida com voz de veludo e foto trabalhada, já não se sustenta aos olhos de qualquer estudante e trabalhador, filhos, pais, mães e avós que enxergam o que acontece a sua volta. Defender que a corrupção e toda ganância explícita tem que ser tolerada em nome da estabilidade é imoral na realidade instável e insegura além dos que já tem a vida ganha por sobrenome e berço.

Na sexta-feira que vem, dia 30 de junho, brasileiros de todo canto cruzarão os braços em #GreveGeral para deixar claro que o lucro que eles sonham só se faz com trabalhadores e estudantes respeitados, com famílias que tenham sua dignidade garantida independente do berço que nasceram ou área da cidade em que vivam. É passada a hora de acreditar na própria leitura da realidade e vermos que o que é dito nos jornais também vem de pessoas com seus próprios interesses e ambições. Estamos em tempos de finalmente nos perguntaram o que queremos: paremos pelo #ForaTemer, #VazaPollyana, #QueroVotar e #DiretasJá.

Daniel de Carvalho é presidente do Partido Socialismo e Liberdade – PSoL Botucatu, Conselheiro Municipal de Cultura, Membro da Comissão Municipal de Transporte Coletivo – CMTC, Estudante de direito e empresário.

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