OPINIÃO | Os 200 de Esparta

Vivemos hoje tempos sombrios no Brasil como já vimos em eras anteriores

por Daniel de Carvalho

Atos recentes de tirania e abusos impostos vêm deixando mais palpável as histórias de absurdos enfrentados na história mundial, vemos de pronto a lendária resistência dos soldados de Esparta frente à ameaça persa do Império de Xerxes em 480 a.C.

A luta pela liberdade e democracia não é uma bandeira recente, vem de milênios de esperança e sonho por homens e mulheres iguais convivendo em tempos de empatia e sabedoria, liderados pelo equilíbrio do cidadão consigo mesmo, em paz, e conhecimento para aprender ouvindo e ensinar motivando, engajando.

A Segunda Guerras Médica marcou a história pela resistência das cidades-Estado gregas contra o avanço do Império persa motivado pela expansão territorial que já conquistava partes da Ásia, África e Europa, pressionando a população grega ao seu próprio território. Os povos conquistados eram obrigados a pagar impostos que garantissem a governabilidade do Império e ceder soldados para suas guerras imorais e sangrentas, todos obrigados pelo poder político e econômico, que viria do governo divino, a se curvar a toda tirania que impusessem e também vender seu próprio povo para beneficiar-se de seus interesses particulares por gana de manter seus privilégios aristocráticos mantidos geração a geração.

Cidadãos livres e escravos também existiam entre os “democráticos” gregos, uma sociedade hoje vista como desigual e mantida também por privilégios e excluídos, mas a regra era respeitada e o tempo hoje diz que aquilo não era justo ou equilibrado, não havia governo do povo, democracia, no século V a.C., mas um protótipo de governo justo enquanto escravos e gregos, homens e mulheres, estes e aquelas eram facilmente rotulados e segregados entre seus pares. Como diz o ditado, “vaca branca com vaca branca e malhada com malhada – não se misturam”, mas havia quem defendesse seus princípios, quem não venderia seu sonho ou a esperança de sua família ser verdadeiramente justa, transmitindo para a história as palavras de equilíbrio e paz que traziam de seus antepassados.

Da sombra da tirania divina de Xerxes vinha consigo uma legião de ampla maioria de soldados cedidos por povos dominados, obrigados a lutar sua luta e defender sua bataria, ou estariam mortos. Não havia mais esperança ou confiança, mas sim ambição de sobrevivência. Alimentados por espólios de guerras com mulheres e alimentos que banhavam seus jantares, a elite próxima do imperador reinava absoluta para manter intacto seu governo e, assim, disciplinar com medo e força intransigente suas ambições que em nenhum momento poderia ser questionado por quem estivesse fora desta posição.

Vivemos hoje tempos sombrios no Brasil como já vimos em eras anteriores. Um rei governando com sua corte impondo o medo e terror em troca de economia próspera para eles. Ameaças de mudanças drásticas em um Império tirano enquanto que nada é dito ou qualquer questionamento pode ser passado para os soldados ou cidadãos do império.

A Reforma da Terceirização recém aprovada na capital foi esta semana barrada pelo Procurador Geral da República, a do ensino médio vendida pelos comerciantes e publicitários como ótima e oportuna, mas em nenhum momento foram justos no questionamento popular sobre este tema que atingirá a juventude de todos cantos de Botucatu e do país, o fim do direito a aposentadoria representado pela Reforma da Previdência vem sendo preparado como “foie-grás”, aquele patê de fígado de ganso onde o tratador entope o animal empurrando goela abaixo o alimento para que o órgão atinja o tamanho ideal para preparar sua iguaria, ignorando seu sofrimento ou aversão.

Já a Reforma Trabalhista, rejeitada em comissão especial do senado, entre os próprios governantes persas, irá agora a votação entre os cidadãos-senadores para que analisem se o Brasil ainda merece a estabilidade no trabalho ou a vende. Tudo é balizado pelo interesse dos que financiam este governo e também as campanhas políticas por vir. Dos mais de 200 milhões de brasileiros, o Brasil agora é representado pelo interesse de 600 políticos eleitos, hoje em Brasília, os cidadãos, enquanto os escravos e povo sofre na opressão de obrigações que não lhes é explicado com medo do terror imposto por suas ameaças.

Na última sexta 200 botucatuenses se uniram ao grito nacional de “Basta!”, chega de corruptos governando o país através de comprar e venda de seus interesses sem qualquer respeito ao que o povo quer, pelo fim da imposição do império tirano e autoritário que ignora os que sustentam com seus suor e sangue os privilégios da corte real sem qualquer respeito ou dignidade. Basta de governos arrogantes e privilegiados, e 200 se uniram à proposta de Greve Geral e marcharam sobre as ruas frias e silenciosas de nossa cidade gritando por #ForaTemer #DiretasJá #ForaReformas, pelo fim do poder do dinheiro sobre o respeito, pelo fim da arrogância e da dominação do medo sobre a esperança. Teremos muito orgulho de saber que a história reconhece o que está sendo feito, e parabéns aos 200 que se postaram enfrentando o autoritarismo que prevalece em terras tucânicas. Que os políticos acordem, pois os escravos do Império nunca dormiram. Seguiremos juntos, todos!

Daniel de Carvalho é presidente do Partido Socialismo e Liberdade – PSoL Botucatu, Conselheiro Municipal de Cultura, Membro da Comissão Municipal de Transporte Coletivo – CMTC, Estudante de direito e empresário.

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