Rodovias do Tietê embarga obra de trecho da ciclovia que “passa” pela Rondon

Parte da ligação passaria por trecho sob concessão da empresa, que alega irregularidades na execução da obra

por Flávio Fogueral

Poucos metros separam a ciclovia construída pela Prefeitura de Botucatu ao trecho já existente na Rodovia Antonio Butgnolli, em direção ao câmpus da Unesp e ao Distrito de Rubião Júnior. Para que o circuito fosse completo, bastaria uma ligação entre o final da Avenida Deputado Dante Delmanto à Rodovia Antonio Butgnolli.

No entanto, o trecho em questão passaria por baixo do viaduto existente no quilômetro 254 da Rondon (SP-300), cuja responsabilidade de gestão é da Rodovias do Tietê. E a empresa, embargou a obra. A confirmação veio no dia 22 de agosto, com nota oficial distribuída à imprensa. Nela, a concessionária ressalta que entre os vários motivos, alguns são relativos à segurança e outros a questões contratuais e burocráticas.

O dispositivo de acesso e retorno localizado no km 254 da Rodovia Marechal Rondon, SP 300, é parte integrante do lote 21 concedido à Rodovias do Tietê. Referido trecho sob responsabilidade da Rodovias do Tietê não pode ser objeto de intervenções por parte de terceiros, sejam entes públicos ou privados, sem a necessária autorização e formalização instrumental por parte da ARTESP- Agência de Transportes do Estado de São Paulo, a quem compete a fiscalização das atividades das rodovias sob concessão”, explicita a nota.

Ainda conforme a empresa, o projeto da ciclovia, que envolveria diretamente a intervenção em trecho sob sua administração, necessitaria de análise e aprovação da Artesp, sendo que, nas alegações da mesma, isso não teria ocorrido e posteriormente aprovado pelo órgão regulatório.

O trecho faria a conexão entre a Avenida Dep. Dante Delmanto e a Rodovia Antonio Butgnolli, com pedaço do contorno passando por baixo do viaduto existente. A marcação de terreno e terraplanagem para o serviço foram promovidas pela Secretaria de Obras, que tem executado os trabalhos de conclusão da ciclovia.

Trecho passaria por baixo do viaduto da Marechal Rondon, sob concessão da Rodovias do Tietê (Foto: Flávio Fogueral)

Segundo a empresa, as obras encontram-se “fora de norma, trazendo riscos a segurança e integralidade dos ciclistas e usuários da via”. O trecho passa por uma alça de acesso de veículos que saem da Rodovia Marechal Rondon, com destino ao Distrito de Rubião Júnior e consequentemente, ao câmpus da Unesp.

Conforme ressalta a concessionária, as irregularidades encontradas referem-se “as pinturas executadas nas alças de acesso e retorno ao dispositivo sob a SPA 254, que podem trazer risco a segurança dos ciclistas e usuários da via, por se tratar de faixa de aceleração, danos as canaletas e ao talude do viaduto do km 254 da SP-300”, salienta a nota emitida pela Rodovias do Tietê.

Procurada, a Secretaria de Infraestrutura da Prefeitura de Botucatu informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre embargo da obra no trecho compreendido entre a Dante Delmanto e a Antônio Butgnolli. Segundo nota oficial emitida pela Secretaria de Comunicação, o vice-prefeito e secretário municipal de infraestrutura, André Peres, ainda aguarda a notificação oficial da Rodovias do Tietê para agendar reunião afim de discutir a situação da obra.

Enquanto o imbróglio continua, as obras estão paradas e sem previsão de retomada enquanto não houver negociação entre Prefeitura e Rodovias do Tietê. No entanto, as duas partes devem iniciar conversas para reparo de danos causados à estrutura, além da averiguação de questões relacionadas a segurança dos ciclistas.

O projeto da atual ciclovia de Botucatu teve início em janeiro de 2016, ainda na gestão do ex-prefeito João Cury Neto (PSDB). Era prevista a construção de 8 quilômetros de vias destinadas a bicicletas. O primeiro trecho ligaria o câmpus da Fazenda Experimental do Lageado ao câmpus de Rubião Júnior da Unesp. Com isso, interligaria as regiões Norte a Oeste do município. O investimento é aproximado em R$ 3.795.984,78, com parte da verba sendo viabilizada por empréstimo junto ao governo estadual.  A previsão de conclusão era de 360 dias.

Poucos metros uniriam a ciclovia na zona urbana à já existente na Rodovia Antonio Butgnolli (Foto: Flávio Fogueral)

Trajeto de 8 quilômetros passa por ruas, avenidas e, pela rodovia

O trajeto definido para a ciclovia que unirá os campi da Unesp do Lageado e de Rubião Júnior é o seguinte: Início na Av. Universitária, cruzando pela Rua Heitor Quintino Carvalho, Av. Prof. Raphael Laurindo, Rua Mario Bicudo, Rua Francisco Antonio Funari, Lourenço Carmello, Rua Plácido Rodrigues Venegas, Rua Lourenço Castanho, Av. Manoel Pinheiro Ribeiro e  Rua Mariana Jaqueta Santos, deflete a esquerda seguindo pela Rua Prof. Benedito Pires de Almeida, deflete a direita seguindo pela Rua Carlos Guadagnini, cruzando pela Rua Artemio Capelupi , deflete a direita seguindo pela Rua Rodrigues Cesar, deflete a esquerda seguindo pela Av. Universitária, pelo cruzamento das ruas Lincoln Vaz, Rua Clovis de Avelar Pires, Rua Luzia de Masseno Pontes e Rua Edmundo Techio, deflete a direita seguindo pela Rua José Thiago, pelos cruzamentos das ruas Vicente Rosa, Silvestre Bartoli e Gregório Pedro Garcia, deflete a esquerda seguindo pela Av. João Baptista Carnietto, pelos cruzamentos das ruas Salvador Bavia, Av. Julio Vaz de Carvalho , Rua 04 e Rua João Coelho da Silva, deflete a direita seguindo pela Rua Brasilio Panhozzi, pelos cruzamentos das ruas Angelo Simonetti, deflete a direita seguindo pela Av. Deputado Dante Delmanto, prosseguindo pela Rodovia Antonio Butignoli ate chegar a Unesp.

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