OPINIÃO | Bacia Hidrográfica do Rio Capivara

A BHRC tem aproximadamente 22.218 hectares

por Patrícia Shimabuku*

O município de Botucatu é drenado por duas Bacias Hidrográficas: a do Rio Tietê, ao norte, e a do Rio Paranapanema, ao sul, onde os seus principais afluentes da bacia do Tietê são o Rio Araquá, Córrego da Divisa, Ribeirão Lavapés, Rio Alambari e Rio Capivara e da bacia do Paranapanema é o Rio Pardo, manancial de abastecimento da cidade de Botucatu (Represa Mandacaru).

Destaca-se por sua extensão, bem como pelo volume d’água, o Rio Capivara, uma espécie de rio-eixo, que atravessa a Cuesta no sentido sul-norte e vai se unir ao Tietê na altura de Porto Martins. A Bacia Hidrográfica do Rio Capivara (BHRC) pertence a Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídrico – UGRHI 17, correspondente ao Comitê de Bacia Sorocaba Médio Tietê – CBH SMT. Apresenta atributos naturais que merecem atenção, tais como, seu relevo peculiar, constituído pela formação de Cuesta Basáltica, pela fragilidade de seus solos e a importância de seu manancial (possibilidade de abastecimento de água reserva para o município).

A BHRC tem aproximadamente 22.218 hectares. O Rio Capivara recebe este nome a partir da junção do Córrego da Roseira com o Córrego da Canela numa altitude 677 metros, desta forma, para esse valor de elevação do relevo, consideramos que seu curso se inicia na região de transição entre o front e a depressão periférica da Cuesta Basáltica.

Na parte alta da bacia (cabeceira) encontra-se o Parque Natural Municipal Cachoeira da Marta (PNMCM), uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, cuja área é de relevante interesse para a conservação da biodiversidade e recursos naturais de nossa região. O Córrego do Roseira forma as duas cachoeiras localizadas dentro do PNMCM conhecidas como “Marta 1” (38 metros de queda d’água) e “Marta 2” (25 metros de queda d’água), típicas desta região de Cuesta, as quais atraem muitos visitantes por tais atributos naturais, facilidade de acesso e pela proximidade à cidade de Botucatu (aproximadamente 11 km da região central). Além desta UC, a bacia está inserida na APA (Área de Proteção Ambiental) Estadual Corumbataí – Botucatu – Tejupá, perímetro de Botucatu. Para ambas UC existe plano de manejo que norteia todas as atividades antrópicas nesta região. A cabeceira apresenta diversas especificidades ambientais, uma complexa rede de drenagem (cerca de 200 nascentes), solo frágil e com alta susceptibilidade a processos erosivos (solo arenoso – arenítico basáltico), vegetação de transição de Mata Atlântica – Cerrado e áreas de recarga das águas do Sistema Aquífero Guarani (SAG), além dos atributos cênicos e paisagísticos que a formação geomorfológica que esta região apresenta (mirantes, vales e cachoeiras).

A região não foge a “regra” de ocupação não planejada sem os devidos estudos técnicos, como qualquer outra região de nosso município, estado ou a nível nacional. Sofre, constantemente, a pressão da especulação imobiliária e ocupação irresponsável cada vez mais intensa, por estar muito próxima da área urbana. Atualmente, seus usos e ocupação compreendem atividades como cultura de eucalipto, áreas de pastagem, chácaras de recreio e outras culturas agrícolas de produção de alimentos para o município. As regiões limítrofes e locais aonde a “cidade chegou”, é notável e persistente os impactos socioambientais (processos erosivos decorrentes do sistema obsoleto e sem estudos técnicos de drenagem de águas pluviais, assoreamento de nascentes e córregos, desmatamento, prejuízos econômicos a produção rural familiar, contaminação das águas, perda do potencial turístico, etc.).

Devido as fragilidades e a importância ecológica da bacia, seu uso e ocupação deverão ser monitorados constantemente. Existe uma vasta literatura técnica-científica sobre o território em questão, porém, o que falta é a identificação de suas vocações com viés sustentável, fiscalização pelos órgãos competentes e incentivo/apoio para o desenvolvimento ecológico econômico por parte da gestão pública. Somente com a vontade política, a BHRC e outras espalhadas em nosso município terão seu uso e ocupação responsável combatendo de forma efetiva a especulação imobiliária. 

As informações supracitadas foram fundamentadas em dois estudos acadêmicos, a saber:

(1)   CARREGA, Elen Fittipaldi Brasilio. Delimitação de unidades ambientais na bacia do Rio Capivara, Botucatu (SP), 2006.

(2)   TRAFICANTE, Daniela Polizeli. Fragilidade ambiental da APA Corumbataí-Botucatu-Tejupá (Perímetro Botucatu, SP, Brasil) na Bacia Hidrográfica do Rio Capivara, 2016.

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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