OPINIÃO | Vamos pra cachu?

Nosso município possui (somente) duas cachoeiras públicas, a do Véu de Noiva e a Cachoeira da Marta (fechada para manutenção)

por Patrícia Shimabuku*

Nestes dias típicos calor, com altas temperaturas e céu azul e ensolarado, uma das opções é lazer em ambientes naturais, porém, as atividades recreativas e de lazer deverão ser planejadas com responsabilidade, respeito ao meio ambiente e comunidade local.

O acesso às cachoeiras e suas trilhas demandam vários cuidados. Esses “recursos naturais turísticos” não possuem infraestrutura de acesso, uma trilha com escadas naturais e corrimões adequados, proporcionando aos visitantes riscos de acidente como tombos e escorregões. Vale lembrar e reforçar que o nosso município possui (somente) duas cachoeiras públicas, a do Véu de Noiva e a Cachoeira da Marta (fechada para manutenção), as demais, são de propriedade privada, sendo assim, para usá-las o proprietário deverá ser consultado para permissão de uso. Frequentar cachoeiras localizadas em propriedades particulares sem autorização do proprietário é invasão de propriedade.

O uso de cachoeiras deverá ser com cautela e responsabilidade devido aos desafios e riscos naturais que o ambiente proporciona. Mergulhos “às cegas” são arriscados, bem como, ficar debaixo das quedas após os períodos de chuvas. Com as chuvas torrenciais as “pedras” e os “galhos” poderão ser carregados pelas águas que contribuem para a formação das mesmas, ficar embaixo das quedas, poderá ser um risco (traumas cranianos). Da mesma forma, que mergulhos nos lagos e córregos de suas bases são extremamente arriscados, além do risco de traumas, o indivíduo poderá enroscar-se nos galhos e “pedras” presentes no fundo, podendo ter como consequências, afogamentos. O uso de cipós e cordas em árvores como balanços devem ser evitados.

Cachoeira do Véu da Noiva, um dos pontos turísticos mais visitados de Botucatu. Foto: Patrícia Shimabuku

Em ambientes naturais não se deve consumir bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Churrascos e fogueiras não deverão ser realizados devido ao alto risco de incêndios e degradação ambiental. A extinção e o acesso de equipes brigadistas e socorristas a estes ambientes são dificultosas e, em muitos locais não permitem o acesso de viaturas de apoio.

Os visitantes deverão, obrigatoriamente, retornar aos seus lares com os restos de alimentos e lixos produzidos durante o passeio. Além da poluição visual, os lixos serão fontes poluidoras do solo e dos corpos hídricos, riscos para os animais domésticos e silvestres, bem como reservatório de água para proliferação do mosquito Aedes aegypti (mosquito transmissor da Dengue e outras doenças).

Práticas esportivas aquáticas (que utilizam caiaque, jet sky, botes) e as verticais (como rapel e escaladas) deverão ser realizadas por empresas que cumprem as normas e os requisitos preconizados pelos órgãos regulamentadores. Os “coletes guarda-vidas” deverão compatíveis com o físico do usuário e seu uso deverá ser obrigatório, independente, do nível de experiência do indivíduo e grau de risco de acidentes que o ambiente proporciona. As cordas, as cadeirinhas e os capacetes utilizados nos rapéis e nas escaladas deverão ser ótima procedência e “suas vidas úteis monitoradas”.

Os visitantes às áreas naturais devem deixar familiares e amigos cientes do trajeto a ser realizado (horário de saída, pontos de referência e quem são os integrantes do grupo). Itens básicos de segurança como cordas, lanternas, flutuadores (garrafas tipo PET) deverão ser levados juntamente com um kit básico de primeiros socorros (repelente, antialérgico, faixas, protetor solar, etc). Nunca se esquecer de levar água (quantidade suficiente para tempo de ida, curtição e retorno), bem como o uso de roupas, chapéus ou bonés, calçados adequados à passeios na natureza e o número das equipes de Suporte Básico de Vida (SAMU 192, BOMBEIROS 193 e GCM 199). Os itens mencionados deverão estar dentro de uma mochila.

Por fim, se faz necessário, a presença de um guia experiente e capacitado com equipamentos de segurança e kits de primeiros socorros para possíveis intercorrências em ambientes naturais.

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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