Botucatu teve 80 casos de queimadas no semestre; multas começam a ser aplicadas com rigor pela Guarda Municipal

Somente em junho, foram 30 autuações, que se reverteram em multas

por Flávio Fogueral

Estiagem e mata seca. Dois personagens que certamente causam preocupação, não só às autoridades como a população nesta época do ano. Tudo devido ao aumento de casos de queimadas em mata e incêndios na zona urbana. Os registros feitos pelo Grupo de Proteção Ambiental (GPA), da Guarda Civil Municipal (GCM)  mostram que, de janeiro a junho, mais de 80 casos ocorreram em Botucatu.

Somente em junho, foram 30 autuações, que se reverteram em multas. O número pode bater o registrado em 2017, quando ocorreram 60 ocorrências do tipo nos primeiros seis meses do ano. De janeiro a dezembro, por exemplo, foram 112 queimadas em Botucatu.

Esta semana, dois casos de incêndio causaram preocupação. O primeiro, ocorrido na segunda-feira (25), atingiu um terreno na Vila Rodrigues, nas proximidades do Bairro Alto. As chamas se propagaram em uma área com plantação de bambus e se alastraram em poucos minutos. Segundo relatos, o fogo chegou próximo a uma residência e a um edifício com apartamentos.

O caso mais recente foi registrado nesta semana, em uma das áreas de maior visibilidade e de visitação de Botucatu: o entorno do morro de Rubião Júnior, onde está a Igreja de Santo Antônio. Grande parte de vegetação nativa foi consumida por incêndio, na manhã de terça-feira, 26.

As chamas não alcançaram a encosta que dá acesso ao ponto religioso e turístico mas, em contrapartida, chegou ao barranco que circunda a Rodovia Antônio Butgnolli. Quatro postes de telefonia e energia elétrica- de madeira- foram danificados, com dois cedendo após a base ser totalmente queimada.

Em ambos os casos o Corpo de Bombeiros interveio e controlou as chamas para que não se alastrassem e, com isso, os casos tivessem consequências mais sérias. Mesmo assim, as autoridades mantêm cautela e reforçam a necessidade da colaboração da população para evitar queimadas ou mesmo denunciar casos relativos.

“Este ano tem se apresentado com maior estiagem do que 2017 e, portanto, com maior propensão de ocorrência de queimadas. As áreas mais propícias para isso são terrenos baldios na zona urbana, principalmente em loteamentos novos”, ressalta Carlos de Paula, inspetor responsável pelo GPA da Guarda Civil.

Os proprietários de terrenos e autores de queimadas identificados estão sujeitos às sanções do que dispõe a Lei Municipal nº 1007, de 27 de novembro de 2012. O texto, que proíbe a incidência desta ação contra o meio ambiente, especifica que é proibido o “uso de fogo para limpeza de terrenos”. Em caso de infração, a multa aplicada ao dono do espaço é de R$ 100, mais adicional de R$ 5 por metro quadrado de área danificada. A penalidade passa a ser duplicada quando em caso de reincidência.

Para denúncias de queimadas, o recomendado é acionar primeiramente o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193; e posteriormente a Guarda Civil Municipal e Defesa Civil, no 199, além da Polícia Militar, no 190.

Campanha contra queimadas

Em abril, representantes de diversas esferas do Poder Público e entidades ambientais lançaram uma campanha contra as queimadas em áreas verdes e terrenos. Participaram as  Secretarias do Verde, da Subsecretaria de Mobilidade Urbana (Semutran), além da Patrulha Ambiental da Guarda Civil, Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros e do Centro Médico e de Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas) da Unesp de Botucatu, além da Câmara Municipal.

A iniciativa consistirá em conscientização por meio de campanhas em mídias sociais e distribuição de material educativo. As Forças de Segurança aumentarão a fiscalização e, posteriormente, a autuação aos proprietários de terrenos e autores de incêndios.