Área “fora do projeto” causa imbróglio no recém-entregue Residencial Para Todos

A área está localizada atrás da Rua Giovana Giandoni, no residencial Maria Luiza e a primeira via do Para Todos

Texto e fotos por Flávio Fogueral

A entrega das chaves de 331 novas casas marcou, não só a inauguração oficial do Residencial Para Todos no sábado (21), construído na Zona Sul de Botucatu, mas também um novo imbróglio com os futuros moradores da região. O motivo é uma faixa de terra existente na divisa entre o novo bairro e o Maria Luiza, fruto de um impasse judicial.

A área está localizada atrás da Rua Giovana Giandoni, no residencial Maria Luiza e a primeira via do Para Todos. A faixa de terra se estende por mais de 500 metros e tem sete metros de largura, concentrada em dois quarteirões entre os dois bairros.

Mesmo com a situação indefinida, não é possível acessar a faixa de terra já que muros impedem transeuntes ou veículos. Na parte de dentro, no entanto, é possível ver despejo de materiais de construção e também de lixo doméstico e também colchões e outros móveis.

Alguns moradores, aproveitando a entrega das chaves, mediam a área das casas nas proximidades da faixa de terra, para a construção de muros. No trecho em específico, os residentes contabilizavam os sete metros excedentes. Pelo projeto original apresentado pela Prefeitura de Botucatu à Ecovita, empreiteira responsável pelas obras, cada lote conta com 200 m², sendo que as casas possuem 44,4 m².

“Vamos fechar o muro porque, se tivessem que abrir alguma rua, já estaria aberta. Ou mesmo resolvido isso”, frisou um dos novos moradores que não quis de identificar. Salientou, ainda, que outros moradores também adotarão a mesma medida acrescentando os metros da faixa sob judice.

Faixa de terra em questão tem 7 metros de extensão e percorre quase 500 metros entre os dois loteamentos

Muros foram construídos para impedir o acesso à área “sem destino”

Outros relatam que os novos vizinhos de fundo (residentes na Rua Giovana Giandoni) ameaçam também ocupar o espaço. Enquanto a situação segue indefinida, os novos moradores se reuniram, dia 17, com representantes da Ecovita para análise da situação e obtenção de informações. Um dos boatos, por exemplo, dizia que a empresa faria a comercialização da área excedente, fato que foi negado pela própria construtora, em nota oficial (leia abaixo).

Por meio de nota oficial, a EcoVita (cuja sede é em Bauru), frisou que a área em questão não pertence à incorporadora. Por meio de nota oficial, frisou que “adquiriu  individualmente os 337 lotes, através de licitação feita pela Prefeitura Municipal de Botucatu, se comprometendo a realizar a infraestrutura e a construção das casas, o que fez com 6 meses de antecedência ao prazo estabelecido”.

No documento, frisa que os lotes já estavam determinados e que não ocorreram quaisquer propostas para que os mutuários adquirissem os excedentes das áreas. Procurada, a Prefeitura de Botucatu informou que acompanha diretamente a situação e “que todos os trâmites serão tratados diretamente entre moradores e a Construtora Ecovita”.

O terreno muda ao longo de extensão, formando um barranco entre os dois loteramentos

Entrevistado pela reportagem antes da entrega do residencial Para Todos, o prefeito Mário Pardini salientou que a faixa excedente foi causada por questões burocráticas quando da alienação do antigo residencial Paratodos, em 2014. O antigo loteamento teve início, com casas sendo erguidas, mas embargadas pela Justiça em sequência. Por anos, a área ficou sem uma destinação final. “A questão da área é alocação do projeto, onde ficou uma faixa de área verde que os moradores pediram que intervíssemos junto à construtora para que pudesse ser feita a doação. O problema é que essa faixa é do loteador antigo que havia construído aqui antes e estavam em ruína. Essa propriedade não era nem da Ecovita e nem da Pacaembu (empresa que construiu o Maria Luiza)”, salienta.

Segundo o Chefe do Executivo, além do acompanhamento da situação, o Poder Público tem procurado auxiliar os futuros moradores com a resolução do problema. “Procuramos o antigo loteador, mas o mesmo faleceu e é um imbróglio que tem que ser resolvido na Justiça. Mas, resolvendo tal situação e havendo a possibilidade dessa faixa para a Ecovita, a empresa se mostrou disposta a repassar a faixa de terra aos moradores”, completa Pardini.

Enquanto o imbróglio se arrasta, moradores começam a despejar lixo na área

Confira, na íntegra, a nota emitida pela EcoVita

A Ecovita Construtora esclarece que a área citada pertence ao loteador do Para Todos. A Ecovita não é a loteadora do empreendimento, adquiriu individualmente os 337 lotes, através de licitação feita pela Prefeitura Municipal de Botucatu, se comprometendo a realizar a infraestrutura e a construção das casas, o que fez com 6 meses de antecedência ao prazo estabelecido. Os lotes já estavam determinados, e não foram feitas quaisquer propostas para que os mutuários adquirissem os excedentes das áreas, pois como informamos acima, a mesma não pertence a Ecovita. Informamos também que foi feita uma reunião com os mutuários na terça-feira, dia 17 de julho, para prestar os devidos esclarecimentos e informar as ações que estão sendo feitas em conjunto pela Ecovita e pela Prefeitura Municipal de Botucatu, em prol de auxiliá-los. Enaltecemos aqui, que a Ecovita Construtora preza pela ética, moralidade e boa-fé na condução de suas atividades, que sempre estão pautadas na responsabilidade social e transparência.

Confira, na íntegra, a nota emitida pela Prefeitura de Botucatu

A Prefeitura de Botucatu informa que está acompanhando a situação e que todos os trâmites serão tratados diretamente entre moradores e a Construtora Ecovita.