OPINIÃO | Mundo Off Road e seus reflexos na Economia

O meio ambiental não é um empecilho, mas sim, o ponto crucial da sustentabilidade

por Patrícia Shimabuku*

O mundo Off Road a cada dia ganha mais adeptos dentro e fora do Brasil, atraídos pelos desafios em meio a natureza em veículos com muita tecnologia, mecânica de alta performance e acessórios cada vez mais diversificados, personalizados e sofisticados.

Os conceitos ecológicos e como planejar uma trilha off road já foram abordados em artigos anteriores, com a intenção de iniciar um processo educativo com os praticantes (empoderamento) visando a busca de diálogos mais assertivos com os órgãos ambientais e de segurança dos territórios das trilhas.

A compreensão das especificidades/fragilidades ecológicas, adequações dos trajetos e direito de propriedade privada só serão respeitados se todos os envolvidos possuírem noções técnicas, jurídicas e econômicas da prática. Só existirão diálogos e acordos se a leitura socioambiental e econômica do território for compreendida e esclarecida para todas as partes. Além dos impactos socioambientais, a prática também tem seus impactos na economia local, regional e nacional, porém, como em qualquer outro segmento econômico e ação antrópica, a conservação ambiental não deve ser desconsiderada no planejamento e nas decisões econômicas.

A economia que gira em torno das atividades off road é significativa, basta realizar uma pesquisa rápida no Google, existem jornais especializados como por exemplo, o “Jornal Mais Off Road, http://maisoffroad.com/”, de veiculação nacional. O programa “Auto Esporte” nas duas últimas edições abordou o uso dos quadriciclos tanto como prática esportiva como meio de transporte na agricultura (ao invés de utilizar os convencionais tratores) e o lançamento de veículos 4×4.

Quantos eventos, quantos encontros, quantas lojas especializadas (mecânica, venda de veículos e acessórios) existem em nossa cidade, nossa região e em nível nacional? E os serviços de apoio como: rede gastronômica urbana e rural, rede hoteleira, postos de combustíveis e farmácias cujo clientes são os praticantes dessas modalidades de esporte automotivo (trilheiros)? E os empregos temporários? E as receitas oriundas do recolhimento de impostos? E não podemos esquecer, que além dos eventos e encontros, existe a contribuição dos praticantes (individuais ou grupos) para a rede de serviços! Quantos botucatuenses e/ou munícipes da região turística do Polo Cuesta depende (in)diretamente deste segmento econômico?

O meio ambiental não é um empecilho, mas sim, o ponto crucial da sustentabilidade (de todo e qualquer segmento econômico). Os empecilhos são: a falta de diálogo, bom senso, visão estratégica, empatia, a omissão, sem falar na real vontade de buscar uma solução de todos os envolvidos. Simplesmente dizer que “não pode” sem fundamentação dos porquês e como será o controle/impedimento da prática ou “que pode” sem regramentos e fiscalização não será a solução dos problemas já existentes e dos que virão! Ressalto que, para o “não” ou para o “sim” serão necessários aplicação de recursos financeiros e humano qualificado.

Diante deste cenário, as atividades off road precisarão ser regulamentadas de maneira democrática e imparcial, considerando as questões de território (privado ou público, importância e fragilidade ecológica, impacto de vizinhança, etc.), legais e econômicas. Tal regulamentação deverá ser mediada pelo Poder Público local (Executivo e Legislativo) com a participação dos praticantes (de forma organizada, como associações), com os representantes da rede de serviço, dos promotores de eventos, do conselho municipal de turismo e do meio ambiente, órgãos ambientais e de segurança e proprietários dos territórios das trilhas.

A crítica pela crítica não solucionará nada.

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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