Durante campanha em Botucatu, Doria prega eficiência nos serviços públicos

Tucano percorreu alguns pontos de investimento como o local que receberá a futura represa do Rio Pardo

por Flávio Fogueral

Candidato ao governo do Estado pelo PSDB, o ex-prefeito de São Paulo, João Dória, fez uma rápida visita a Botucatu na sexta-feira (31), onde promoveu atividades de campanha junto a correligionários. Recepcionado pelo prefeito Mário Pardini, o tucano percorreu alguns pontos de investimento como o local que receberá a futura represa do Rio Pardo, no complexo do Véu da Noiva.

Em coletiva à imprensa, na sede do PSDB botucatuense, o tucano ressaltou alguns pontos de seu programa de governo, o qual priorizará parcerias com a iniciativa privada e a eficácia das ações dos serviços públicos. Também reforçou a necessidade de aprimorar a instalação de parques tecnológicos, tendo por base as características logísticas e econômicas das regiões que pleiteiam tal equipamento de fomento econômico.

Os temas que permearam a conversa rápida (menos de vinte minutos) com os jornalistas centraram a segurança pública, onde Doria reafirmou a necessidade de integração entre Polícias e as guardas civis municipais, além da reposição de policiais e armamentos.

Questionado sobre pesquisas eleitorais, onde aparecia com leve vantagem sobre o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, Doria salientou que a “campanha apenas começou” e que boa parte dos eleitores estão indecisos quanto às escolhas para as eleições de outubro.

Confira os principais trechos da coletiva com o candidato pelo PSDB, João Doria.

Crise Hídrica e abertura de capital da Sabesp

Os paulistas vivenciaram, entre 2014 e 2016, o prenúncio de uma crise de abastecimento, a qual ficou conhecida como “Crise Hídrica”. O fato gerou apreensão e críticas ao governo estadual pelas medidas nada eficazes em garantir o abastecimento tanto na Grande São Paulo quanto no interior. Influenciada pela estiagem, a situação se agravaria pela captação de água na chamada “reserva técnica”, nível abaixo do recomendado pelo consumo. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) criticou o governo paulista pela falta de investimento na infraestrutura de abastecimento.

A visita de Doria a Botucatu, curiosamente, iniciou-se com uma rápida passagem no local onde será construída a barragem do Rio Pardo, maior projeto do governo Pardini, cujos investimentos deverão chegar a R$ 50 milhões e que ainda dependem de captação a diversas instâncias governamentais e de fomento.

O candidato tucano ressaltou que o auxílio à futura represa se torna “compromisso de governo”. “Não se pode ter uma cidade com mais de 150 mil habitantes sob risco constante de desabastecimento de água. O projeto da barragem é viável e propomos também articular conversas com o governo federal para viabilizar”, ressaltou Doria.

Questionado sobre o plano de governo e a temática de abastecimento tanto na capital e interior, o candidato afirmou que o tema foi desenvolvido na gestão de Geraldo Alckmin (candidato à Presidência da República também pelo PSDB), e que os projetos de interligação entre as bacias hidrográficas paulistas terão continuidade.

Outro ponto frisado foi quanto ao papel da Sabesp nos investimentos de saneamento. Em entrevistas anteriores, o candidato ressaltou que não privatizaria a companhia estatal de economia mista (que possui ações em bolsa e investimentos privados). No entanto, salientou a necessidade de fazer captação de receita junto à iniciativa privada.

“A Sabesp precisa ter um padrão de eficiência cada vez mais elevado. É uma empresa orgulho do Estado de São Paulo; está capitalizada e em minha gestão será cada vez mais atrativa a investimentos. Ela pode receber um volume maior de investimentos privados com captação em Bolsas internacionais, assim como ocorreu recentemente”, frisou Doria.

Candidato ao governo ressaltou que mesmo tendo alguns “deslizes” em indicadores, São Paulo está em posição confortável

Pesquisas eleitorais e duelo contra Paulo Skaf

As últimas pesquisas eleitorais apontam leve vantagem do tucano frente ao seu principal adversário, o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, do MDB.

O último levantamento do Datafolha divulgado em 22 de agosto, mostra Doria com 25% das intenções de votos contra 20% de Skaf. O atual governador, Márcio França (PSB) e Luiz Marinho (PT), aparecem empatados com 4% cada. Indecisos somam 11%, sendo que 26% dos eleitores pesquisados cogitam votar em branco ou nulo.  

Doria lidera em todos os cenários, classes sociais, grau de escolaridade e gênero. O único empate é na capital. Mesmo assim, o tucano lidera em rejeição, sendo que 32% dos paulistas não votariam em seu nome.

“Na capital não se tem mais empate técnico. Distanciamos um pouco mais também nas últimas sondagens. O fato é que estamos há cinco meses com campanha e essa é a décima pesquisa e é a décima pesquisa onde lidero. Tem que se levar em consideração é que a campanha eleitoral começou oficialmente hoje (31 de agosto), com a propaganda em rádio e TV. Quase metade da população brasileira não estava ligada quanto à eleição; e uma parte considerável ainda não tinha uma posição quanto ao seu voto. Com a campanha haverá uma rápida definição quanto aos nomes ao longo desses dias por esta parcela da população”, ressaltou o tucano.

Financiamento das universidades estaduais e parques tecnológicos

Responsável pela manutenção de três das principais universidades públicas do país- Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)-, o governo paulista destina desde 1995 o repasse de 9,57% da quota parte do ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) às instituições. Com a crise econômica, a queda na arrecadação se tornou evidente com ambas instituições tendo dificuldade de financiamento. O orçamento de USP, Unesp e Unicamp foi de R$ 2,1 bilhões em 2017.

Doria diz que, em seu plano de governo, o sistema de destinação das verbas ao ensino superior será mantido aos moldes atuais, por atender a legislação. “É uma regra constitucional. Certamente iremos dialogar com os reitores das universidades para que possam melhorar a qualidade da gestão. O que não faz sentido é colocar mais recursos do que aqueles permitidos constitucionalmente. As universidades também têm que buscar eficiência de gestão, redução de custos e adotar o sistema equivalente usado nos Estados Unidos, onde ex-alunos que conquistaram posições de destaques possam colaborar destinando recursos. Também é importante o investimento de empresas nas pesquisas. Acredito que as universidades paulistas estejam bem equipadas na produção de conhecimento, podendo se capitalizar com investimentos privados”, salientou o tucano.

Quanto à criação de estruturas de fomentos à pesquisa e startups, os chamados Parques Tecnológicos, Doria ressaltou que a iniciativa é mensurar as regiões com maior necessidade deste equipamento e instalar conforme as características da economia regional.

“Sou a favor dos parques, mas temos que ter cuidados para não haver exagero na criação dos mesmos para que não se sobreponham. Por isso a Secretaria de Desenvolvimento é imprescindível para esse “desenho” das áreas de fomento. Há regiões que são vocacionadas para abrigar tais iniciativas e são definidas por suas características de logística, ambientais, entre outras. Um parque tecnológico não precisa necessariamente ser gigante, mas sim eficiente”, opinou.

Qualidade do Ensino Médio e escolas estaduais

Estado que concentra a maior rede pública de ensino do país, São Paulo vive as agruras da qualidade em xeque do atual sistema, que concentra 3,7 milhões de alunos em 5.400 escolas estaduais. Esse contingente agrega, ainda, 244,9 mil profissionais. É a questão do ensino que criou algumas das principais polêmicas do governo do PSDB à frente de São Paulo nos últimos anos como a instituição da Progressão Continuada, salários dos professores e a tentativa de reestruturação logística do sistema, que culminaria com o fechamento de escolas. Em Botucatu, a EE Armando Salles de Oliveira seria desativada, fazendo com que 150 alunos fossem transferidos. A Secretaria de Estado da Educação (hoje administrada pelo ex-prefeito João Cury Neto) foi alvo constante de críticas e o governo estadual viu-se obrigado a adiar tais mudanças.

No último levantamento sobre a qualidade do Ensino Médio promovido pelo Ministério da Educação, ficou constatado que a maior parte dos alunos oriundos do sistema público possuem deficiência quanto a Matemática e Língua Portuguesa, situação que também atinge São Paulo.

“Vale lembrar que São Paulo possui as melhores índices de educação pelo Ideb, e esta condição positiva precisa ser mantida, mas também continuamente aprimorada. Teremos uma política de valorização dos professores, apoiar a meritocracia para que estes profissionais desempenhem melhor e cumprar as metas e sejam premiados. Este é o sistema adotado por países como a Coreia do Sul, onde a Educação mudou os rumos do país. Não podemos esquecer também o ensino com o apoio tecnologia; as crianças não querem mais lousa e giz. Querem aprender com computadores, kits de robótica, sistemas de softwares que permitam a elas se tornar competitivas quando adultas. E os professores precisam ser preparados para serem os líderes neste processo”, ressaltou Doria.

O candidato ainda frisou a ampliação da rede de escolas e faculdades de ensino tecnológico, capitaneados pelas ETECs e Fatecs. “Serão ampliadas e estimuladas em seus cursos e ampliar a existência dessas unidades aos municípios onde ainda não existem”, frisou.

Segurança Pública e integração das polícias

“É preciso lembrar que possuímos os melhores índices de segurança pública do país. São 7,4 homicídios por 100 mil habitantes, o que é uma realidade diferente no país. O Rio de Janeiro, nosso Estado vizinho, tem 35 homicídios por 100 mil habitantes. É preciso lembrar desses números, não justificar”, respondeu Doria aos questionamentos dos jornalistas quanto ao plano de Segurança Pública.

Mesmo com estatística defendida pelo candidato, a Segurança Pública paulista vive sob o déficit de policiais, sejam civis ou militares. Sindicatos vinculados à Polícia Civil aponta que hoje a corporação necessita de 13.900 agentes. Mesmo a Polícia Militar enfrenta redução de contingente. Em 2013, eram 89.400 PMs, número que não passa dos 77 mil no ano passado. Há, ainda, a questão do combate ao crime organizado e a articulação do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua dentro dos presídios paulista.

“E mais do que ter índices, o cidadão precisa da sensação de segurança. Para isso temos que melhorar as condições das polícias, melhorando alguns pontos: gradualmente a questão salarial sem romper a política fiscal adotada pelo ex-governador Alckmin. Além disso, o Estado precisará investir no aumento do contingente, investir nos concursos e preparação desses profissionais”, explanou Doria.

Segundo ele, uma alternativa estudada é a integração entre as Guardas Civis Municipais, para o suporte nas ações de segurança pública. “Na maioria das cidades que possuem as guardas no interior, o efetivo delas é maior do que da própria Polícia Militar. Não faz sentido a inexistência dessa integração das polícias com as guardas. É necessária essa atuação conjunta para estratégia, planejamento e comunicação”, salientou o tucano.

Um ponto abordado foi quanto a conservação de delegacias e equipamentos fornecidos às polícias. O candidato diz que há a necessidade de equiparar o armamento com os utilizados por outras corporações de seguranças no exterior. Outra ideia será a expansão dos Batalhões de Ações Especiais da Polícia Militar, dos atuais cinco postos, para vinte e duas unidades em quatro anos, cada uma abrigando 300 policiais. “A polícia é que estará em condições de vantagem”, finalizou o tucano.

Direto ao “Ponto”

A visita de João Doria foi caracterizada pelo candidato ir “direto ao ponto”. Quando chegou ao Diretório Municipal do PSDB, cumprimentou rapidamente os correligionários e dirigiu-se para a sala reservada para a coletiva de imprensa. Chamou o prefeito Mário Pardini para compor a mesa e logo a entrevista teve início. Com respostas engatilhadas, os questionamentos dos jornalistas ocuparam menos de vinte minutos.

Dória e apoiadores de campanha foram ao Café do Ponto, onde tomou o tradicional cafezinho.

Logo após, em uma rápida caminhada pela Rua Moraes Barros, chegou ao Café do Ponto, na Amando de Barros, tradicional espaço para as discussões políticas botucatuenses. Ali, tirou fotos com populares e pediu o tradicional cafezinho.

“Não tem pastel, vai o de Belém”

Ainda no Café do Ponto, o tucano mostrou bom humor ao notar que o estabelecimento não vendia o tradicional pastel de feira, iguaria que ao lado do café, são degustados à exaustão por candidatos em época de campanha. Ao perceber a falta do produto, Doria pede o “pastel de Belém”, doce da culinária portuguesa. “Já que não tem pastel, vai o de Belém”, disse o candidato a governador. A visita do tucano ao “comércio” de Botucatu também foi breve e não durou nem trinta minutos. Pouca gente que estava na Amando de Barros percebeu a movimentação. Não havia militantes ou mesmo pessoal de campanha preparando o clima para a visita no principal corredor comercial botucatuense.