Ato em Botucatu fará desagravo a Bolsonaro e a favor dos direitos da igualdade de gênero

A intenção, conforme a organização, é despertar a conscientização sobre a violência de qualquer tipo contra a mulher

por Flávio Fogueral

Grupos de defesa dos direitos da mulher, coletivos feministas, além de populares farão neste sábado, 29, manifestação pela igualdade de gênero e repúdio à candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República. O ato, que será promovido nacionalmente, também terá atividades em Botucatu, cuja expectativa é reunir mais de duas mil pessoas.

O ato será dividido em dois momentos: o primeiro, compreendido entre às 11 e 13 horas, terá concentração na Praça Emílio Pedutti (Bosque) e percorrerá a Rua Amando de Barros. Na sequência, haverá concentração em frente à Câmara Municipal, onde estão previstas novas manifestações, bem como apresentações artísticas.

A intenção, conforme a organização, é despertar a conscientização sobre a violência de qualquer tipo contra a mulher. “O objetivo é denunciar todos os atos preconceituosos não só desse candidato à presidência, mas todas as formas de violência contra a mulher e também a homofobia. Tememos que essa polarização e o avanço do candidato voto protesto que representa todo o conservadorismo. É um movimento suprapartidário, pois mostramos que as mulheres estão em desacordo com esta candidatura”, salienta a psicóloga Beatriz Stamato, uma das coordenadoras do evento.

Jair Bolsonaro lidera a corrida presidencial, conforme pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira (26), com 27%; seguido de Fernando Haddad (PT), que tem 21% e Ciro Gomes (PDT), 11%. No segundo turno, porém, o polêmico candidato perde em cenários contra o petista e o pedetista.

O parlamentar, no entanto, sempre esteve envolto em polêmicas e declarações diretas contra minorias étnicas, homossexuais e, diretamente às mulheres. Em 2015, Bolsonaro afirmou que mulheres deveriam receber salário menor, porque engravidam. “Quando ela voltar [da licença-maternidade], vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”, disse. Um ano antes, disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-SP) “porque ela não merece”. Declaração esta que rendeu três condenações na Justiça a Bolsonaro.

Estes são alguns dos exemplos pelos quais a organização do ato salientou serem os motivadores do protesto. “O movimento cresceu de forma espontânea nas redes sociais. Congregamos desde o Conselho Municipal de Políticas Públicas para a Mulher, até coletivos autônomos. Hoje, temos mais de mil pessoas confirmando presença e com debate intenso sobre o papel da mulher da sociedade. Não podemos retroceder neste sentido”, salientou Beatriz.

A mobilização em desagravo a Bolsonaro ocorre dez dias após a visita do general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa do deputado federal. O comício ocorreu em frente à Catedral Metropolitana e, conforme os organizadores do evento, reuniu mais de 3000 pessoas.