MP investiga gastos de deputados com gráficas. Fernando Cury e empresa de Botucatu estão na lista

O parlamentar gastou, exatamente, todo o valor disponível para serviços gráficos, R$ 8 mil por mês (R$ 224 mil neste período)

do site Leia Notícias

Um Inquérito Civil instaurado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, no dia 24 de agosto, investiga 43 dos atuais 94 deputados da Assembleia Legislativa de SP (ALESP), em relação a supostas irregularidades praticadas pelos parlamentares nos gastos com serviços gráficos.

A investigação ganhou força após uma reportagem do G1, no mês de julho, mostrar que nos últimos três anos a conta das gráficas foi a que mais pesou nas verbas de gabinetes: mais de R$ 15 milhões entre os 94 deputados estaduais.

Na listagem dos 43 deputados que aparecem no Inquérito Civil está o nome do deputado estadual Fernando Cury (PPS), de Botucatu. Em seu primeiro mandato como deputado, Fernando Cury gastou, até o mês de julho de 2018 (3 anos e 7 meses de mandato), o total de R$ 274.254,00 em serviços gráficos. Deste valor, R$ 10 foram gastos com a empresa identificada na prestação de contas da ALESP como Elisabete Ribeira Angelo ME, e o restante, R$ 274.244,00 foram gastos com a Igral Indústria Gráfica Ltda. Epp., de Botucatu, que também tem seu nome inserido no Inquérito Civil instaurado no Ministério Público, ao lado de outras 29 gráficas e empresas que prestam serviços gráficos.

Conforme a reportagem do G1, destacada no Inquérito Civil pelo Promotor de Justiça Ricardo Manuel Castro, cada um dos 94 deputados estaduais pode gastar até R$ 8 mil por mês com serviços gráficos. Trinta gráficas receberam R$ 7,5 milhões de janeiro de 2015 até maio de 2018.

Segundo o Ministério Público: “A conduta praticada pelos representados pode ferir os princípios administrativos constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, além da honestidade, imparcialidade e lealdade às instituições, além de outros da administração pública, e constituir atos de improbidade administrativa, em prejuízo do patrimônio público e social e à administração pública enriquecimento ilícito”, destacou o Promotor de Justiça, Ricardo Manuel Castro.

De acordo com a prestação de contas do deputado estadual Fernando Cury, desde o mês de abril de 2016 até o mês de julho de 2018 (28 meses), o parlamentar gastou, exatamente, todo o valor disponível para serviços gráficos, R$ 8 mil por mês (R$ 224 mil neste período), sempre com a Igral Indústria Gráfica.

Além dos 43 deputados e das 30 gráficas, o Ministério Público de São Paulo também está investigando outros 10 ex-deputados.

A reportagem do Jornal Leia Notícias entrou em contato com um representante da Gráfica Igral, que afirmou quenão irá se pronunciar sobre a investigação. Ele disse que foi intimado pelo Ministério Público e encaminhou toda a documentação solicitada.

Após contato da reportagem do Leia Notícias, a assessoria do deputado estadual Fernando Cury encaminhou uma nota oficial sobre as investigações do Ministério Público de São Paulo sobre as supostas irregularidades praticadas pelos parlamentares nos gastos com serviços gráficos.

“Trata-se de um procedimento administrativo rotineiro do Ministério Público, que tem o dever de averiguar todo e qualquer fato para apurar se houve ou não alguma irregularidade referente aos serviços gráficos utilizados pelos deputados estaduais de São Paulo. A empresa contratada pelo deputado Fernando Cury é a Igral, tradicionalmente conhecida e com sede em Botucatu. Sempre pautado pela transparência, Fernando Cury fez questão de encaminhar, no último dia 13 de setembro, uma resposta aos questionamentos feitos pelo Ministério Público (mesmo sem a obrigatoriedade de prestar esse esclarecimento por se tratar de um procedimento administrativo). O material gráfico produzido destaca a prestação de contas das ações do deputado para todo o Estado através de seu mandato. Todos os serviços de gráfica utilizados pelo deputado Fernando Cury estão de acordo com os critérios estabelecidos pela Assembleia Legislativa de São Paulo, e foram analisados e aprovados pelo órgão de controle e fiscalização da própria Assembleia”.

Corregedoria da ALESP também investiga gastos

A Corregedoria da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo também abriu investigação para apurar os gastos dos deputados com gráficas.

O Jornal Leia Notícias entrou em contato com a assessoria da Corregedoria da ALESP, que informou que a investigação, que teve início em julho, segue sob sigilo e ainda não foi concluída. A investigação da Corregedoria da Assembleia envolve os gastos de nove parlamentares, de cinco partidos, mas os nomes desses parlamentares não foram divulgados.

Confira a lista dos investigados no inquérito do Ministério Público

DEPUTADO CARLOS CEZAR
DEPUTADO SEBASTIÃO SANTOS
DEPUTADO MARCOS DAMASIO
DEPUTADO ESTEVAM GALVÃO
DEPUTADO LUIZ CARLOS GONDIM
DEPUTADO ENIO TATTO
DEPUTADO ED THOMAS
EX-DEPUTADO MAURO BRAGATO
DEPUTADA BETH SAHÃO
DEPUTADO ADILSON ROSSI
DEPUTADO ROBERTO ENGLER
DEPUTADA MARIA LÚCIA AMARY
EX-DEPUTADO JUNIOR APRILLANTI
DEPUTADO ABELARDO CAMARINHA
EX-DEPUTADO AIRTON GARCIA
DEPUTADO CASSIO NAVARRO
DEPUTADO CAIO FRANÇA
DEPUTADO DAVI ZAIA
EX-DEPUTADO LUCIANO BATISTA
DEPUTADO CARLOS NEDER
DEPUTADO JOSÉ AMÉRICO
DEPUTADO MILTON VIEIRA
DEPUTADO WELLINGTON MOURA
EX-DEP. ALEXANDRE JOSÉ DA CUNHA
DEPUTADO ANTONIO SALIM CURIATI
DEPUTADA ANA DO CARMO
DEPUTADO LUIZ TURCO
DEPUTADO CARLÃO PIGNATARI
DEPUTADO BARROS MUNHOZ
DEPUTADO ITAMAR BORGES
DEPUTADO DELEGADO OLIM
DEPUTADO JORGE CARUSO
DEPUTADO CELSO NASCIMENTO
DEPUTADA MARTA COSTA
DEPUTADO JOSÉ RICO PRADO
EX-DEPUTADA SARAH MUNHOZ
DEPUTADO LUIZ FERNANDO
DEPUTADA LECI BRANDÃO
DEP. JORGE WILSON G. DE MATTOS
DEPUTADO TEONÍLIO BARBA
DEPUTADO GILENO GOMES
DEPUTADO MÁRCIO CAMARGO
DEPUTADO AURIEL BRITO LEAL
EX-DEPUTADA VANESSA DAMO
EX-DEPUTADO ORLANDO MORANDO
DEPUTADO FERNANDO CURY
DEPUTADA CLÉLIA GOMES
DEPUTADO MARCO VINHOLI
DEPUTADO MILTON LEITE FILHO
EX-DEP. CELSO GIGLIO (FALECIDO)
DEPUTADO ANTONIO DE S. RAMALHO
DEPUTADO ROGÉRIO NOGUEIRA
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EX-DEPUTADO DILMO DOS SANTOS

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