Unesp: proposta de reajuste salarial de 2,2% segue indefinida

O percentual foi definido após a terceira rodada de negociação entre reitores da Unesp, USP e Unicamp

por Flávio Fogueral

Servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) devem ter mais um ano de reajuste com índice abaixo da inflação. Proposta apresentada na segunda-feira, 27, pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), estabelece aumento de 2,2% nos salários para este ano.

O percentual foi definido após a terceira rodada de negociação entre reitores, representantes dos funcionários e sindicatos das categorias das três universidades. Na Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o novo valor deverá ser apresentado aos conselhos universitários e aplicado de forma retroativa.

No entanto, o caso referente à Unesp torna-se mais delicado, já que a reitoria da universidade não sabe se aplicará imediatamente o novo percentual aos mais de 6.450 funcionários e 3.750 professores. O motivo seria o déficit orçamentário estimado em mais de R$ 300 milhões e que comprometeu até mesmo o pagamento do décimo terceiro salário a mais de 12.500 servidores na ativa e aposentados, regidos sob o sistema autárquico, estimado em R$ 130 milhões.

Segundo a Unesp, o valor proposto pelo Cruesp impactará o orçamento deste ano em R$ 45 milhões, somando-se os doze meses de salários e o décimo terceiro, além de férias. “Após a provisão integral do 13º salário do ano de 2019, permitindo seu pagamento a todos os servidores docentes e técnico-administrativos, celetistas e autárquicos, e dependendo da evolução da arrecadação do ICMS, será determinado o melhor momento para aplicar o dissídio de 2,2% aprovado pelo CRUESP na reunião ocorrida com o Fórum das Seis”, frisou o reitor Sandro Roberto Valentini, por meio de nota oficial emitida por seu gabinete.

“Apenas para conhecimento da comunidade, o valor de 2,2% do reajuste impactaria a folha de pagamento anual da Universidade em cerca de R$ 49 milhões, considerando 12 meses mais 13º terceiro salário e férias constitucionais”, frisou.

Ainda pela nota, a Unesp explica  que outro fator determinante para a indefinição foi o acordo firmado em abril junto com as secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico, da Fazenda e Planejamento, além da Saúde para o ressarcimento à folha de pagamento de 664 servidores na ativa e que estão lotados no Hospital das Clínicas de Botucatu (atualmente uma autarquia estadual sem vinculação administrativa com a universidade), o que totalizou R$ 83 milhões anuais.

“Esse valor, somado aos R$ 25 milhões já provisionados para o pagamento do 13º salário do exercício atual, já perfazem 67% do valor total do 13º salário de 2019. Com esse aporte de recursos e o esforço da Unesp de equilibrar as despesas, espera-se, prioritariamente, cumprir com o pagamento integral do 13º salário de 2019 a todos os servidores durante o presente exercício”, salienta a nota.

Uma assembleia entre os servidores da Unesp de Botucatu (que engloba as Faculdades de Medicina; Medicina Veterinária e Zootecnia; de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências, além da Administração Geral) deve ocorrer ainda esta semana para debater a proposta.

No ano passado a proposta de reajuste foi de 1,5%, o que motivou a uma greve que durou menos de um mês. Na ocasião, os servidores reivindicavam aumentos reais dos valores. Na ocasião a categoria pedia o reajuste de 3% para reposição inflacionária já que alegavam perdas estimadas de 16% no valor do salário.