Redes sem limites

Nunca antes foi possível ver e conhecer pessoas interessantes simplesmente com uma conexão pela internet

por Oscar D’Ambrosio

Por que algumas pessoas têm tanta dificuldade de lidar com as redes sociais e, em artigos de jornal e palestras, ficam dizendo que o Face e Instagram são uma espécie de manifestações do Apocalipse, levando a uma sociedade de pessoas solitárias, com relacionamentos afetivos comprometidos?

É curioso observar a dificuldade desses intelectuais de lidar com as inovações, insistindo em máximas como a de que o ser humano nasceu para ter contatos interpessoais e que o mundo virtual seria contra a natureza. Parecem esquecer que pessoas e sociedades mudam. E tudo está se transformando muito rapidamente, inclusive, e principalmente, os elos entre as pessoas.

A questão não está nas redes sociais, mas no uso que as pessoas fazem delas. Pelo Facebook e pelo Instagram, é possível falar com seres humanos do mundo inteiro. Se esses indivíduos utilizem a mídia para se digladiar em disputas vazias de sentido, a culpa não é da tecnologia, mas de cada um desses usuários.

Nunca antes foi possível ver e conhecer pessoas interessantes simplesmente com uma conexão pela internet. O problema é que esse poder, como ilustra a célebre frase dos quadrinhos do Homem-Aranha, traz grande responsabilidade. Saber escolher o joio do trigo é um desafio permanente, denso e maravilhoso.

Aqueles que preferiam viver num mundo sem internet e celular parecem curiosamente defender uma sociedade de limites, quando o que mais precisamos para expandir a mente humana é uma existência sem barreiras, que nos permita conhecer o máximo possível do todo e, com ele na mão, ultrapassar diariamente nossas fronteiras.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.