O valor da amizade

Afinal, estar juntos não necessariamente é uma benção

por Oscar D’Ambrosio*

Em tempos de amizades virtuais e de busca constante pela produtividade nas empresas, onde fica a amizade? Essa é a pergunta central do filme francês “Estaremos sempre juntos”, de Guillaume Canet. O reencontro de um grupo de amigos em uma casa de veraneio traz justamente à tona se ainda é possível as pessoas se apoiarem umas outras mesmo quando cada uma separadamente está cambaleante.

O excelente ator François Cluzet vive Max, um falido dono de restaurante e hotel. Ele pretende passar um final de semana de folga na casa de praia que coloca à venda quando é surpreendido pela chegada de um grupo de amigos que lhe prepara uma festa surpresa. Era tudo o que ele não queria.

O barulhento grupo, com comportamento adolescente, marcado pela necessidade da bebida e do sexo, apresenta os mais variados perfis, com destaque para a infeliz Marie (interpretada com a potência habitual de Marion Cotillard) e a intensa Isabelle (a sensual Pascale Arbillot). Os diálogos afiados mostram personagens entre 50 e 60 anos com dúvidas existenciais e tentando refazer as vidas perante dezenas de escolhas de afeto, talvez menos acertadas do que eles desejariam

A derrocada financeira e emocional de Max, que inclui uma desajeitada tentativa de suicídio, acaba por unir o grupo. A mensagem é positiva e parece indicar um futuro melhor, embora não existam dados concretos, além do idealismo, de que isso possa de fato acontecer. Afinal, estar juntos não necessariamente é uma benção. Permanecer só pode ser uma escolha igualmente saudável e válida.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo