Dores na corrida

Existem algumas lesões que são mais comuns para os corredores de longa distância

por Ana Paula Simões*

Para quem está estreando em uma distância mais longa, como a maratona, é comum sentir dores em músculos específicos (iliopsoas, quadríceps e panturrilha), além de dores nas articulações do tornozelo, joelho, quadris e eventualmente coluna. Mas como saber qual dor é sinal de uma lesão que pode ser agravada? Por que todo mundo que corre uma prova longa sente algum tipo de dor e sabe o momento de parar ou continuar?

Existem algumas lesões que são mais comuns para os corredores de longa distância, mas é preciso estar muito consciente. É preciso saber “ouvir” seu corpo. Geralmente o pensamento de um corredor de maratona é: “eu tenho que correr com a dor”. Por isso, eles geralmente correm com essa dor até que seja tarde demais. E um dos principais riscos de continuar correndo com a dor é que você pode criar mais lesões.

Lesões mais comuns
Há basicamente dois tipos de lesões: aguda e crônica. As lesões agudas são as tensões ou distensões ocasionadas durante a corrida de forma súbita podendo ou não estar relacionada a um trauma direto (esbarrar em alguém, receber um trauma) ou indireto (pisar em um buraco). Nestes casos o ideal é não continuar, pois as lesões agudas são as mais graves e podem chegar até a rupturas musculares e tendinosas, já que geram impotência funcional imediata e muitas vezes cursam com inchaço e dor muito forte.

Já as lesões por overuse são consideradas as crônicas. Bons exemplos são a síndrome da banda iliotibial (ou ITBS), que gera uma dor na lateral da coxa, e a fascite plantar, caracterizada por irritação e inchaço do tecido na parte inferior/plantar do pé.

A Síndrome da banda iliotibial é provocada pela inflamação da faixa iliotibial, uma banda de espessura de tecido fibroso, que corre para baixo do lado de fora da coxa. A faixa iliotibial começa no quadril e se estende para o lado de fora do osso um pouco abaixo da articulação do joelho. Ele funciona em coordenação com vários dos músculos da coxa para proporcionar estabilidade ao exterior da articulação do joelho.

Muitos corredores também devem também conhecer a fraturas por estresse que ocorre por impacto repetitivo geralmente em quem treina no asfalto, está despreparado fisicamente e/ou usa equipamentos inadequados, o que pode sobrecarregar os ossos e gerar uma sobrecarga a tal ponto de fraturá-lo.

Outra lesão é a canelite, uma dor na canela que também é causada por esforço repetitivo e impacto. De 10 a 15% das lesões de corrida são dores nas canelas, segundo alguns artigos de corrida.

Finalmente, durante a maratona, os corredores vão experimentar a fadiga muscular dramática, que obrigará muitos deles a parar.

Todos os corredores têm uma certa quantidade de energia armazenada no corpo e é nas corridas de longa distância que a energia armazenada é queimada rapidamente. Primeiro como açúcar e glicose e depois muda para outra forma de energia, geralmente gordura ou proteína. Quando essa forma de energia se esgota, é que os atletas devem parar, evitando assim as lesões musculares.

Prevenção

Recomendamos que os maratonistas se mantenham hidratados e reponham os eletrólitos e a glicose durante a corrida como as bebidas esportivas ou géis que têm açúcar e glicose. Além de se alimentar corretamente antes da prova e ter uma estratégia de reposição durante a mesma.

Para evitar as lesões agudas, aconselhamos evitar contato e tumultos durante a prova. E para evitar as crônicas, o corpo depende de um trabalho prévio de treinamento.

Antes da prova aconselhamos aquecer e alongar para preparar a musculatura para o que virá. Também é recomendado usar equipamentos de segurança quando necessário, como meias de compressão, palmilhas, estabilizadores e tênis adequado. Não esqueça também do alongamento após a corrida, que deve ser feito logo após o corpo relaxar.

Finalmente, existem certas dores que você pode observar e analisar durante a prova que não foram citadas aqui. Se elas são amenizadas ou estabilizam geralmente são só fadigas ou dores musculares e não deixarão sequelas. Mas se a dor não melhorar ou então piorar a cada quilômetro, é preciso reduzir a velocidade ou até mesmo parar para uma avaliação ortopédica.

Boa prova!

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. www.anapaulasimoes.com.br