O valor da vida

Trata-se de uma discussão difícil para a qual geralmente não se está preparado

por Oscar D’Ambrosio*

O suicídio entre jovens e adolescentes vem aumentando. Antes era algo distante, uma raridade episódica. Atualmente vem se aproximando de cada um de nós com velocidade e violência. Trata-se de uma discussão difícil para a qual geralmente não se está preparado. Uma boa maneira de ingressar nesse mundo escuro e obscuro é o filme “Reach”.

A direção de Leif Rokesh é bastante tradicional, mas a intenção não é construir uma obra-prima intelectualizada. O foco é o jovem do ensino médio a quem vemos, já na primeira cena,  fechado no quarto, no escuro, computador ligado, planejando a própria morte. Filho de um policial, convive com a lembrança da mãe também suicida.

O panorama somente se altera quando chega à escola um jovem descolado, criado por pais hippies que faleceram num acidente de moto. Sua vivência, que inclui o gosto musical diferenciado, que inclui do pop ao clássico, e o teatro como válvula de escape para ansiedades, mostra que a existência pode valer a pena.

O recém-chegado, porém, possui seu segredo: o vício em drogas. Fica evidente que, como costumam dizer, de perto ninguém é normal e que cada indivíduo possui seus dramas interiores. Revelar o sofrimento de cada um é o grande mérito do filme. Não há heróis, mas pessoas em busca de si mesmas desde o começo da narrativa. Nessa jornada, descobrir o valor da vida é essencial.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.