Prefeitura articula liberação parcial do Complexo da Marta

O parque Cachoeira da Marta está interditado há uma década para obras de revitalização

por Flávio Fogueral

Com a interdição de acesso ao complexo Véu da Noiva, ocorrida no último dia 20 de dezembro, pela Prefeitura Municipal e Sabesp, tendo em vista o início das obras da barragem “Plínio Paganini”, no Rio Pardo, o município ficará, temporariamente, sem oferecer este atrativo natural para turistas e população. 

Isso porque, das mais de 60 cachoeiras e cascatas catalogadas no município, apenas duas (Marta e Véu da Noiva) são públicas e possuem estruturas para receber turistas. As demais  encontram-se em propriedades particulares como fazendas e sítios, estando sujeitas a cobrança ou proibição do acesso.

O parque Cachoeira da Marta está interditado há uma década para obras de revitalização. Após diversos adiamentos, a última previsão é que o complexo fosse liberado em meados deste mês, o que não ocorreu. Mesmo assim, populares atravessam as cercas de proteção e descem pelas trilhas ainda inconclusas. 

No último informe, a Prefeitura de Botucatu reforçou que mais de 90% das benfeitorias estavam concluídas e que era uma questão de tempo para que o complexo fosse liberado ao público. Inclusive o contrato com a empresa responsável pela obra já expirou (venceu em 3 de dezembro). No entanto, a abertura ao público ainda não ocorreu. 

Em nota oficial, a Prefeitura de Botucatu não informa a data para liberação da cachoeira ao público, onde reforça que este ato depende de uma vistoria de representantes do Fundo de Interesse Difuso, da Secretaria de Justiça do Estado e do próprio Corpo de Bombeiros para a expedição do laudo de segurança do local. Salienta que este processo já foi iniciado, sendo que aguarda apenas tais trâmites para a inauguração do espaço. Mesmo assim, conforme frisa a nota, “a Prefeitura estuda a possibilidade de abertura parcial de uma das trilhas”.

Para que a Marta seja plenamente revitalizada foram investidos R$ R$ 1,6 milhão e ocorre com recursos do Fundo de Interesses Difusos (FID). O projeto contempla transformação total na estrutura, a fim de garantir maior segurança e acessibilidade aos visitantes, incluindo pessoas com deficiência (PCD). 

Para isso, estão sendo implantadas iluminação artificial, centro receptivo com salas de audiovisual para acomodar até 40 pessoas, banheiros, área de estacionamento para 44 carros de passeio, 4 ônibus e motocicletas, entre outras atratividades. O espaço contará com duas novas trilhas de acesso à cachoeira, sendo uma totalmente adaptada a cadeirantes e pessoas com limitação de locomoção, com piso intertravado. Ambas terão mirantes com vista panorâmica. A trilha de acesso à cachoeira passa por readequação e contará com instalação de acessórios de segurança, degraus regulares e piso de madeira.

Já o complexo do Véu da Noiva teve o acesso proibido para as primeiras obras da represa do Rio Pardo. O portal encontra-se totalmente fechado, sendo que o espaço já está sendo adaptado para receber maquinários e materiais na primeira etapa da obra, que consistirá no preparo do terreno para as fundações da barragem. Uma casa existente no local e parte da lanchonete existentes na entrada do complexo já foram demolidas.

A futura represa do Rio Pardo ocupará uma área de 150 hectares e tem por finalidade armazenar água para atendimento das demandas de abastecimento público. A barragem terá a função de regularizar a vazão de água bruta do Rio Pardo à sua jusante a um patamar de 800 litros por segundo, sendo que a necessidade de consumo da população atual de Botucatu é de 520 l/s. 

Após o término da construção da barragem, haverá ainda as etapas de enchimento do reservatório, plantio compensatório de 160 mil mudas de árvores nativas e manutenção. Com isso, a Barragem do Rio Pardo deve entrar em operação até o final de 2023.

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