Conservação ambiental dos recursos e atrativos turísticos

A capacidade de carga (CP), em linhas gerais, é o número máximo (por dia/mês/ano) de visitantes que o atrativo turístico natural pode suportar

por Patrícia Shimabuku*

Não tem como negar a vocação para os diferentes segmentos do turismo que a nossa região possui. Vocação que demanda um planejamento e gestão compartilhada entre os municípios (Executivo e Legislativo), órgãos regulamentadores, iniciativa privada (empresas do segmento turísticos e guias), instituições de ensino, veículos de comunicação, conselhos municipais, sociedade civil organizada e cidadão. 

Frente à necessidade de conciliar o desenvolvimento turístico, especificamente do ecoturismo e do turismo de aventura, para que a atratividade não seja mais uma causa de degradação ambiental, é mais do que necessário que o turismo e a conservação ambiental encontrem um ponto de equilíbrio. Uma ferramenta importante para o planejamento/gestão/gerenciamento dos recursos/atrativos naturais (como cachoeiras, trilhas e mirantes) é o estudo de capacidade de carga. 

A capacidade de carga (CP), em linhas gerais, é o número máximo (por dia/mês/ano) de visitantes que o atrativo turístico natural pode suportar, sem sofrer alterações, considerando-se o equilíbrio dinâmico entre ambiente, quantidade de turistas e qualidade dos serviços instalados. Muitas vezes o tipo de uso e o comportamento do visitante são fatores que oferecem um risco muito mais elevado do que a quantidade de visitantes.

A CP tem como finalidade de gerar um indicador quantitativo, uma espécie de “termômetro” para os gestores de áreas turísticas para o acompanhamento sistemático dos impactos gerados pela visitação. Para garantia da conservação ambiental e conforto social e psicológico do atrativo, os gestores da área devem manter o número de visitantes abaixo da capacidade de carga pré-estabelecida. Porém, não é um número mágico e único para todo e qualquer tipo recurso/atrativo turístico, para cada área a sua CP deverá ser determinada através de estudos por profissionais especializados. 

Além da determinação do número de visitantes, a CP é um instrumento indispensável para identificar as situações críticas (por exemplo: desmatamento, assoreamento de corpos hídricos, degradação de APPs, erosões etc.) que necessitam de cuidados e medidas especiais para saná-las, para prevenir problemas a partir da aplicação de controles prévios e para promover o desenvolvimento sustentável do turismo.

Por fim, a visitação causa alterações no ambiente natural, sendo necessário adotar medidas de controle para protegê-lo e ao mesmo tempo assegurar a qualidade e o conforto à visita. Neste contexto de planejamento/gestão/gerenciamento como está o diálogo/estudo da CP dos recursos/atrativos turísticos de nossa região, para não esgotá-los ou destruí-los? Reforço que, boa parte dos recursos/atrativos naturais estão dentro de áreas de preservação (unidades de conservação), pensar e calcular a CP contribui para a segurança da visitação e evitará crimes e infrações ambientais. 

Para saber mais, visite o “Glossário do Turismo – letra C” do portal do Ministério do Turismo para leitura dos conceitos: capacidade de carga, capacidade psicológica e social, capacidade turística e capacidade de suporte.