Projeto da Unesp de Botucatu sensibiliza sobre participação feminina na ciência

Projeto “Meninas na Ciência” existe há 2 anos o projeto e mantém intervenções

da Assessoria

Em 11 de fevereiro é celebrado o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, aprovado pela ONU em dezembro de 2015, com objetivo de promover o acesso e a participação de mulheres e meninas na ciência. Mas de lá para cá, o que mudou ?

Segundo a Profa. Percília Giaquinto, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, a proporção de mulheres que publicam artigos científicos cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. O que demonstra algum avanço.

“Porém, ainda existem inúmeros desafios. Embora globalmente as mulheres representem 53% dos bacharéis e mestres, seu número diminuiu para 43% das graduadas com doutorado, seguido por uma queda drástica para 28% no nível de pesquisadora”, compara.

“As mulheres permanecem sub-representadas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (a chamada STEM: Science, Technology, Engineering, and Mathematics). Essa lacuna, obviamente, não é o resultado de diferenças na capacidade intelectual. Mas alguns estereótipos negativos desestimulam as meninas a buscarem seu espaço nestas áreas”, complementa.

Profª Persília (à dir.) ao lado das alunas do IBB que integram o projeto Meninas na Ciência

Provocar inspiração

Engajada nesta pauta dentro (e fora) da Universidade, Percília ao lado de alunas de graduação e pós-graduação conduz há cerca de 2 anos o projeto “Meninas na Ciência”. A proposta é sensibilizar e conscientizar sobre a contribuição e participação feminina na esfera da ciência. O projeto divide-se com dois públicos em especial: alunas do Ensino Médio e alunas da própria Universidade.

As primeiras intervenções acontecem desde 2018 na Escola Estadual João Queiroz Marques, localizada em Rubião Júnior, distrito de Botucatu. Em um primeiro momento envolvendo meninas e meninos. E na sequência, apenas meninas.

A abordagem dos encontros inclui contextos sociais e históricos da entrada das mulheres no mercado de trabalho e na ciência. Além da apresentação de exemplos de mulheres importantes nessas áreas. Tudo para que as meninas sejam inspiradas e visualizem alternativas diferentes para o seu futuro.

“Além disso, trabalhamos temas demandados pela escola como educação sexual e higiene pessoal. Em parceria com a Liga de Saúde Sexual e Reprodutiva (SASERE) da Faculdade de Medicina de Botucatu tivemos aulas expositivas, práticas, rodas de conversa e feira de ciências”, conta.

“Já no campus, promovemos atividades de coletivo com reuniões temáticas quinzenais, com a proposta de apresentar e discutir assuntos relacionados à desigualdade de gênero no meio acadêmico, pois percebemos uma demanda entre as jovens cientistas para espaços de fala como este”, diz.

Elas são boas

Percília, por conta do pai, que trabalhava em construção de usinas hidroelétricas pelo País, teve o privilégio de morar em lugares com natureza abundante. Segundo ela, esse contato desde muito cedo com florestas e manguezais despertou curiosidades que iriam muito além do que poderia imaginar se estivesse dedicada apenas às brincadeiras de casinha ou boneca.

“Meu primeiro ‘experimento’ se deu aos 10 anos quando morava numa região de manguezal do Rio de Janeiro e queria saber como os caranguejos distribuíam-se nas tocas. Então marcava suas carapaças com cores diferentes de esmaltes de unhas para saber quem era quem e onde moravam. Eu não queria saber apenas os nomes das coisas, queria saber como tudo funcionava”, enfatiza.

“Daí a importância do projeto em tentar permear a cultura científica o mais cedo possível na vida das meninas. Elas são realmente boas na ciência e pensam fora da caixa, mas há algum tipo de desligamento que acontece no Ensino Médio, onde não é mais divertido pensar e fazer ciência. Vemos a ciência como algo muito elite, que apenas poucas pessoas podem aprender. Isso não é verdade. Você só precisa começar cedo e dar às crianças uma base”, complementa.

Para 2020, o Meninas na Ciência do IBB pretende unir ainda mais escola e universidade, permitindo que alunas da Escola João Queiroz conheçam o cotidiano das cientistas do Instituto de Biociências. Assim, elas podem enxergar esta representatividade feminina e se sentirem motivadas. Meninas e mulheres interessadas em participar das atividades do projeto podem enviar e-mail para: meninasnacienciaunesp@gmail.com

Você Sabia?

  • Marie Curie conduziu pesquisas pioneiras em radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira e única mulher a ganhar 2 Nobel.

  • Rosalind Franklin ajudou a desvendar o DNA, mas ficou sem o Nobel. Estudos dos quais ela participou renderam a cientistas homens prêmios Nobel de Química e Medicina

  • A bióloga e ativista feminista Bertha Lutz foi expoente da luta pelo voto feminino no Brasil e manteve-se ao longo da segunda metade do século XX fiel à luta das mulheres pela cidadania.

  • Mae Jemison foi selecionada pela NASA para se juntar ao corpo de astronautas, onde se tornou a primeira mulher afro-americana a viajar para o espaço no ônibus espacial Endeavour, em 1992. Ela também foi a primeira astronauta da vida real a aparecer em Star Trek.

  • Mary Jackson, retratada no filme “Estrelas Além do Tempo”, foi engenheira no Comitê Consultivo Nacional de Aeronáutica, que se tornou a NASA em 1958. Depois de 34 anos na NASA, ela ocupou a posição mais alta de engenharia disponível.

  • A jovem cientista Gabriela Barreto Lemos revolucionou a física com sua fotografia quântica há quatro anos, em Viena, no prédio que já foi ocupado por Marie Curie.

Sobre Flavio Fogueral