Professor Vidal Haddad Jr. receberá título de doutor honoris causa no RJ

A honraria é resultado do trabalho desenvolvido pelo docente com acidentes por animais aquáticos

Da Assessoria

Professor da Faculdade de Medicina do câmpus de Botucatu (FMB-Unesp), Vidal Haddad Jr. receberá na próxima semana o título de “doutor honoris causa” da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

A honraria é resultado do trabalho desenvolvido pelo docente com acidentes por animais aquáticos, em especial dando orientações para melhorias na condição de saúde dos pescadores brasileiros. O título de “doutor honoris causa” é concedido pelo conjunto da obra do cientista.

“Faço isso há 30 anos e estou mais ativo que nunca”, diz o professor.

Uma universidade oferece tal premiação considerando os méritos do homenageado dentro ou fora do ambiente acadêmico. A entrega do título ocorrerá no dia 4 de março, às 10h, no Auditório Vera Janacópulos, na Reitoria da UNIRIO. Na ocasião, o professor Vidal Haddad Jr. será homenageado com outros três profissionais: o compositor Hermínio Bello de Carvalho, a oficial Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero e a museóloga Nelly Beatriz Decarolis.

Alerta para o verão
Neste verão (2019-2020), o docente fez um alerta, em colaboração com dois colegas, acerca da presença de caravelas-portuguesas nas praias brasileiras, orientando sobre como agir em caso de acidentes. Leia abaixo e ouça no Podcast Unesp:

As caravelas-portuguesas (Physalia physalis) são organismos marinhos confundidos com as águas-vivas, embora apresentem um balão flutuador roxo ou avermelhado, enquanto as águas-vivas verdadeiras são transparentes.

Também chamadas de “bexiguinhas”, são mais comuns nas regiões Norte e Nordeste do país, embora possam ser encontradas mais raramente nas regiões Sudeste e Sul, onde por vezes aparecem em grande número, mas por curtos intervalos de tempo. 

Caravelas são consideradas perigosas para os banhistas, pois em seus longos tentáculos (podem chegar a 30 metros) possuem uma estrutura microscópica que injeta veneno chamada nematocisto.

O contato com os tentáculos da caravela causa um envenenamento muito doloroso e a dor lembra a de uma queimadura.

Os balões flutuadores das caravelas boiam acima da linha da água e isto é um sinal para se afastar, pois os tentáculos podem ser longos e estarem estendidos longe do balão.

No verão, aumenta o número de acidentes por animais marinhos nas praias. Os acidentes ocorrem pelo aumento do número de banhistas e pela chegada das caravelas e águas-vivas às praias.

Na Baixada Santista, principalmente em Guarujá e Praia Grande, esses animais aparecem sazonalmente, uma vez que o verão é a época de reprodução dos animais. Além disso, correntes frias acopladas a ventos costeiros trazem as caravelas às praias de São Paulo.

Esse fenômeno do surgimento de caravelas dura de 2 a 5 dias, aproximadamente. Respeitando-se o momento com maior número de animais nas águas, os banhistas não precisam deixar de ir às praias. Em poucos dias, elas desaparecerão e a situação se normalizará.

Entretanto, quem tiver contato com uma caravela deve tomar certos cuidados:

– não coloque água doce em hipótese alguma (piora o envenenamento);

– não toque a mão sem luvas no tentáculo.

Logo após o contato, a dor é instantânea e violenta. O local fica com linhas avermelhadas que correspondem aos tentáculos do animal. Se houver tentáculos ainda aderidos, retire com um palito ou graveto, nunca com as mãos nuas.

Em seguida, faça compressas de água do mar gelada e banhe com vinagre de cozinha, o que irá aliviar a dor e inativar parte do veneno. Alguns postos de salvamento ou barracas de praia possuem esse material disponível em forma de sachê.

Oriente as crianças a não tocarem os animais que chegam à areia. A cor chama a atenção delas e o envenenamento pode acontecer após o contato, pois o veneno fica ativo por algumas horas.

Se houver falta de ar, taquicardia (batimento acelerado do coração) ou perda de sentidos, procure com urgência um pronto-socorro. Embora raros, acidentes com repercussões sistêmicas podem ocorrer e dependem da área de contato com os tentáculos e tamanho da vítima –quanto mais numerosas e extensas forem as marcas, maior o risco de gravidade, o que põe em risco as crianças.

Se a dor não ceder com as medidas iniciais, o atendimento hospitalar também é obrigatório, para uso de analgésicos injetáveis.