O Homem e o Planeta

O planeta produz o suficiente para satisfazer as necessidades todos os seus habitantes

por Paulo Eduardo de Barros Fonseca*

O homem, de diversas maneiras, vem dando um tratamento inadequado ao planeta. Reiteradas são as notícias de que, por exemplo, testes atômicos são realizados, o que traz problemas de toda ordem para a natureza e à biodiversidade. Igualmente, há grande desrespeito com recursos naturais como florestas e água, de modo que, dentre outros aspectos, tem havido enormes transtornos e desordens climáticas.

O imediatismo buscado pelo homem moderno, aliado a uma certa ambição pelas conquistas materiais, tem causado grande impacto sobre o meio ambiente.

Disso decorre a ascensão da problemática ambiental ao centro das atenções requerendo muito mais do que a simples sobreposição de políticas ambientais corretivas de excessos ou erros no uso de técnicas consideradas mais eficientes, mas uma mudança do padrão tecnológico dominante e, sobretudo, de postura por parte do homem.

O planeta produz o suficiente para satisfazer as necessidades todos os seus habitantes, cabendo ao homem, única e simplesmente, saber administrar de modo sustentável a sua produção, isso segundo as leis de justiça, caridade e amor ao próximo. O homem não pode, de modo egoísta, continuar tratando os recursos naturais como se inesgotáveis fossem, exaurindo a natureza.

A temática ambiental deve ser enfocada como um todo e para todos, na exata medida em que se torna mais evidente que o crescimento econômico e a sobrevivência da espécie humana não podem ser pensados dissociadamente, sem o saneamento do planeta e a administração inteligente dos recursos ofertados pela natureza.

O chamado desenvolvimento sustentável deve ser enfocado como um objetivo planetário; um objetivo que possa ser alcançado por toda humanidade. A natureza oferta ao homem todos os meios necessários para sua subsistência, portanto, é preciso saber usar esses recursos com parcimônia, para que todos os homens dele possam desfrutar.

Jesus disse: “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:26,31,33)

Mas, não é por meio de leis que se decreta a caridade e a fraternidade. Se elas não estiverem no coração das pessoas, o egoísmo as asfixiará sempre. Fazê-las ali penetrar, é tarefa de todos nós.

O planeta deve ser considerado como um todo e não isoladamente, mesmo porque as fronteiras são marcos estabelecidos pelo homem e não pela natureza, partindo-se de um processo de conscientização e educação moral, portanto, espiritual, com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento dos recursos que nos são disponibilizados pela natureza, portanto, por Deus.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.