Caio Induscar confirma proposta de redução salarial para amenizar impactos da Covid-19

A empresa propõe escalonamento de trabalho e redução nos salários

por Flávio Fogueral

As medidas analisadas pela Caio Induscar para amenizar possíveis prejuízos decorrentes da Covid-19 serão oficializadas aos funcionários da empresa nesta quarta-feira, 1º de abril. A empresa propõe escalonamento de trabalho e redução nos salários.

Em vídeo divulgado na tarde desta terça-feira, 31 de março, nas redes sociais oficiais da empresa, o diretor Maurício Lourenço da Cunha ressaltou que a empresa já sente de forma direta os impactos na produção gerados pela incerteza econômica decorrente da pandemia de Covid-19. “O mundo e nosso país atravessam momento difícil e o segmento de transportes de passageiros e nossa empresa já sentem os impactos desta situação. Para superar as dificuldades que estão e as que surgirão, precisamos de um grande esforço conjunto, de mais de 100 mil pessoas entre colaboradores, fornecedores e familiares de todos. Quando avaliamos as possibilidades da empresa, tivemos que levar em consideração todas as partes interessadas, inclusive nossos clientes”, salientou.

Ainda no vídeo, o diretor ressaltou que reuniões com sindicatos ocorreram nos últimos dias, a fim de estabelecer uma proposta viável para que a empresa tenha fôlego financeiro nos momentos de crise. “Nossa equipe está dimensionada para um volume produção muito maior do que é possível neste momento. Para conseguir manter os empregos por 60 dias, fizemos diversas reuniões com todos os sindicatos que representam os colaboradores. A proposta que se mostrou mais viável é a apresentada”, enfatizou Cunha.

Quanto ao esquema de trabalho, foi explicado como será o procedimento. As equipes serão divididas a fim de trabalhar durante meio período no mês, sempre em dias alternados. A medida é para evitar o longo contato entre pessoas. Ou seja, cada grupo trabalhará por dez dias.

Já outro ponto acordado é quanto à remuneração, a empresa ressalta que ocorrerá pagamento integral nos dias trabalhados. Nos dias em que o funcionário estará dispensado de comparecer à fábrica, receberá 60% do total. “Ao final do mês o colaborador deverá receber em torno de 80% do salário integral. Já quanto aos 60% dos dias não trabalhados, estes serão lançados em banco de horas e compensados posteriormente, em datas a serem definidas pela empresa”, ressaltou Cunha.

O diretor frisa que este critério de remuneração será válido a todos os colaboradores, sem exceção. Para que a proposta seja ratificada, ocorrerão assembleias no clube de campo da empresa, com grupos reduzidos de funcionários em local aberto para evitar propagação do vírus SARS-Cov2, causador da Covid-19. A empresa ressaltou que adotará todos os protocolos de serviços de saúde pública. Portanto, os funcionários receberão escalas do horário de comparecimento à assembleia, com voto secreto.

Outro ponto frisado foi quanto a empréstimos consignados contratados pelos colaboradores. Segundo Cunha, a empresa tem promovido negociação com os bancos para que seja estabelecida carência de dois meses nestes contratos para que o impacto financeiro seja amenizado.

O grupo Caio Induscar é uma das maiores empregadoras de Botucatu. Ao todo, emprega mais de 5 mil pessoas em suas unidades espalhadas pelo Brasil.