MP aponta que gás de cozinha custa R$ 25 nas refinarias e abre inquérito

ANP já declarou que o disparo nos preços é um problema pontual e que a população não precisa estocar o produto

da Rede Brasil Atual

 Investigação do Ministério Público (MP) paulista mostra que o gás de cozinha que está sendo vendido a até R$ 130 em pontos de venda na periferia da capital paulista é comprado por, no máximo, R$ 25 nas refinarias paulistas. Como a RBA mostrou na quarta-feira (1º), pontos de venda de gás de cozinha estão fechados por falta do produto há mais de uma semana.

Os que ainda têm estão cobrando de R$ 100 a R$ 130, distribuindo senhas, e não fazem mais atendimento telefônico para entregas. O MP instaurou investigação criminal contra três distribuidoras de gás de cozinha quanto à prática de possíveis crimes contra o consumidor e a ordem econômica.

Segundo o MP, integrantes do Procon e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) estiveram nos estabelecimentos Laecio de Mello ME, Consigaz e Valgás Liquigás, identificando a prática de preços abusivos de comercialização de botijão de gás de cozinha, ignorando o preço máximo de mercado (R$ 70), obtendo lucros extorsivos. “O corpo social e, prioritariamente, as pessoas com menor potencial aquisitivo que, neste cenário de pandemia, já estão proibidas de trabalhar e agora com esse preço exorbitante não conseguem sequer cozinhar em casa”, diz o MP.

A ANP já declarou que o disparo nos preços é um problema pontual e que a população não precisa estocar o produto. “O abastecimento está normal. Em alguns lugares pode ter faltado botijão, porque houve aumento da demanda, por dois motivos: primeiro, as pessoas estão comendo em casa, gastando mais gás; o segundo motivo é que possivelmente também tem gente estocando, desnecessariamente, devido à quarentena”, informou a agência.

A falta de gás

“Faz dois dias que acabou o gás em casa e eu ainda não consegui comprar. Estou cozinhando na minha sogra, que trocou o dela recentemente. É muito preocupante, disseram que não ia faltar essas coisas”, lamentou a costureira Maria de Fátima Costa. Moradora da Vila Maria, na zona norte da cidade, ela passou por três pontos de venda de gás de cozinha na tarde da quarta-feira. E estava em uma fila com cerca de 30 pessoas na frente dela, com a promessa de que o gás chegaria até o final da tarde.

“Se já está assim agora, o que vai ser daqui a um mês? O pessoal do depósito disse que não é falta, é que as pessoas estão estocando, então a reposição está demorando”, explicou. Um funcionário do depósito, que pediu para não ser identificado, confirmou a versão e disse que desde a semana passada não estão atendendo pedidos por telefone. A reportagem visitou cinco depósitos na região norte da cidade, três estavam fechados e dois com longas filas, sem previsão clara da chegada de novos botijões de gás de cozinha.

Na zona leste, a comunicadora social Juliana Gonçalves, moradora da Vila Ré, relatou que o bairro sofre com a falta de gás de cozinha há cerca de uma semana. “A gente tem ligado, não só eu como outras pessoas da minha família, para esses serviços de entrega de gás e ninguém atende. Tinha uma galera que passava vendendo na rua e não passa mais. Eu ainda consegui a R$ 70, mas tem lugares cobrando mais de R$ 100. O gás não é algo que a pessoa compra hoje e precisa comprar na semana que vem, é muito estranha essa falta de gás”, afirmou.

Juliana teve de rodar pelo bairro para encontrar gás de cozinha à venda. “Eu passei em frente a um estabelecimento e vi algumas pessoas. Estava fechado, mas eu vi algumas pessoas na porta, umas três ou quatro pessoas com botijão de gás. A gente parou o carro e fui lá perguntar. O atendente disse que ia chegar dali uns quarenta minutos. Fiquei na fila, recebemos uma senha. Mas eu fiquei nessa fila quase duas horas e meia, não foi quarenta minutos. O caminhão chegou, só descarregou setenta botijões de gás de cozinha, que era quem tinha recebido a senha e depois foi embora”, contou.