O mundo da lavagem de dinheiro

O tom didático da explicação do que é e como ocorre a lavagem de dinheiro em corporações sediadas em paraísos fiscais é genial

por Oscar D’Ambrosio*

O escândalo conhecido como Panamá Papers abalou o mundo das finanças em 2016. Para quem não lembra, estamos falando do vazamento de aproximadamente 11,5 milhões de documentos confidenciais da sociedade de advogados panamenha Mossack Fonseca com informações detalhadas de mais de 210 mil empresas de paraísos fiscais.

Os documentos envolvem acionistas, administradores e políticos de mais de 40 países, incluindo a empresa brasileira Odebrecht e suas ramificações pelo mundo. O diretor Steven Soderbergh tomou esse assunto como mote para filmar “A Lavanderia”. E contou com a ajuda de atores e atrizes consagrados como Meryl Streep, Antonio Banderas e Gary Oldman.

O tom didático da explicação do que é e como ocorre a lavagem de dinheiro em corporações sediadas em paraísos fiscais é genial. Embora não se mantenha durante todo o filme, essa atmosfera auxilia a entender bem como muitos têm tanto fazendo pouco, enquanto muitos têm pouco fazendo muito.

O mote do filme é a história de um idoso que morre em um barco durante um passeio turístico nos EUA. O imbróglio jurídico para saber quem paga o seguro leva até a Mossack Fonseca no Panamá, que não tem a mínima ideia do que está acontecendo. Mas, entre uma ponta e outra deste fio, pessoas sofrem e são afetadas. E como!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.